'A música é a minha língua'
Desde que se conhece por gente, o jovem tem intimidade com os mais diversos estilos musicais e sonha em seguir carreira neste segmento
| Arquivo Pessoal |
| Pedro também gosta do som do contrabaixo elétrico |
| Samantha Ciuffa |
| Pedro se declara apaixonado por MPB e música instrumental brasileira |
Quando criança, Pedro Oliveira Areco admirava a sua mãe, a técnica em radiologia Rosana Oliveira Regal, de 54 anos, tocando piano. Neste exato momento, o garoto começou a aprender música, considerada, por ele, a sua língua.
Para o rapaz, hoje com 19 anos, ao estabelecer os primeiros contatos junto ao idioma nativo, o bebê não fica sentado em uma sala de aula. "Você improvisa o tempo inteiro, ao ouvir e imitar os pais", justifica.
Naturalmente, Pedro tornou-se um instrumentista multifacetário, já que sabe tocar piano, violão popular, violão clássico, violino, guitarra, contrabaixo elétrico e, por fim, contrabaixo acústico.
De quatro a cinco cordas, tal instrumento costuma ser confundido com o violoncelo, afinal, é feito de madeira e possui aproximadamente 1,60 metro de altura. Mesmo atípico para alguém tão jovem, o contrabaixo acústico fez com que Pedro se destacasse em meio ao cenário musical de Bauru, município onde nasceu e foi criado.
Tanto que, em janeiro deste ano, ele ganhou uma bolsa de estudos da University of Southern Mississippi, nos EUA. Antes de embarcar rumo ao novo desafio, o instrumentista conta, abaixo, como tudo começou.
Jornal da Cidade - Você nasceu e foi criado em Bauru. Como foi a sua infância?
Pedro Oliveira Areco - Quando eu tinha 2 anos, me mudei para um prédio chamado Cidade Jardim, no Jardim Cruzeiro do Sul. Passei toda a minha infância no local, afinal, moramos lá por 14 anos. Era muito bom, porque havia muita criança. Nós brincávamos dentro do condomínio. Até hoje, tenho amigos desta época, como o Pedro Lucas, que é um excelente baterista. Inclusive, ainda toco com ele.
| Arquivo Pessoal |
| Até hoje, o rapaz conta com o apoio da professora Giovanna Contador |
| Arquivo Pessoal |
| A mãe Rosana Regal, Marcos Machado, Pedro e o pai Eliseu Areco, no momento em que a família descobriu que o jovem ganhou a bolsa de estudos |
| Fotos: Samantha Ciuffa |
| Mesmo atípico para alguém tão jovem, o contrabaixo acústico fez com que Pedro se destacasse em meio ao cenário musical de Bauru |
| Aos 19 anos, Pedro ganhou uma bolsa de estudos de uma universidade norte-americana |
JC - Falando nisso, quando a música surgiu na sua vida?
Pedro - Tenho memórias da minha mãe tocando piano, quando eu era bem pequeno. Logo que completei 11 anos, pedi um violão ao meu pai. Os dois sempre me apoiaram. Além disso, ouvia muita música diferente dentro de casa. A minha mãe colocava música clássica e o meu pai, Música Popular Brasileira (MPB). Já os meus irmãos eram metaleiros e a minha irmã ouvia reggae. Era uma mistura, mas eu gostava de tudo. Gosto de tudo.
JC - Então, qual é o estilo musical que mais gosta?
Pedro - Eu sou apaixonado por MPB e música instrumental brasileira.
JC - Quando ganhou o violão, aprendeu a tocar sozinho?
Pedro - Depois que o meu pai me deu o violão popular, fiquei um ano tocando sozinho. A primeira música que tirei foi "Smoke on the Water", do Deep Purple. Aos 12 anos, comecei a estudar com o Chiquinho Garcia, que lecionava na Escola Batuques. Fiz seis meses de aula, mas ele saiu para trabalhar em um cruzeiro. Meio ano depois, entrei na Escola Acordes, com o professor Paulo Villaça, momento em que conheci o violão clássico.
JC - Você comentou que a sua mãe toca piano. Nunca se interessou?
Pedro - Nós temos um piano em casa e eu sempre gostei. Depois que a minha mãe tocava, eu ia lá e dava uma fuçada. Eu sei tocar o básico, nunca estudei o instrumento.
JC - E o contrabaixo acústico? Por que a escolha de um instrumento tão atípico?
Pedro - Fiz dois anos de violão clássico e, como era roqueiro, comprei uma guitarra. Tirei muita coisa de ouvido. Certa vez, o meu vizinho, o Téo (Etelvino Zacarias), apareceu com um violino. Ele comprou para fazer aula, mas desistiu e me deu o instrumento. Então, estudei por seis meses no Automóvel Clube. Depois, o Téo adquiriu um contrabaixo elétrico e eu pegava emprestado. Gostei muito do instrumento e entendi a sua função dentro da música. Ele é a base de tudo. Com uma única nota, você muda toda a estrutura da canção. Em agosto de 2017, passei a integrar o Projeto Guri. Lá, conheci o contrabaixo acústico. Até hoje, participo da iniciativa, enquanto membro da Banda Sinfônica do Grupo de Referência.
JC - O que você aprendeu dentro do Projeto Guri?
Pedro - Nossa, muita coisa, incluindo a cooperação entre os alunos e a disciplina. Aproveito para agradecer ao maestro Devanildo e à Cintia, que é a coordenadora do projeto. Sem a iniciativa, não ganharia a bolsa para cursar a graduação em Contrabaixo Acústico pela University of Southern Mississippi, nos EUA, porque só tive contato com o instrumento dentro do Projeto Guri. Sou grato, também, à Orquestra Sinfônica Municipal e à Banda Sinfônica Municipal, das quais faço parte até hoje. Não posso deixar de citar os professores Bruno Celso, Giovanna Contador, Silvio Dechimoni, Stivy Henrique, Fernando Lima e Rúbia Victoria.
JC - Quando ganhou esta bolsa?
Pedro - Participei do 1.º Festival Internacional de Música de Bauru (Fimub), coordenado pelo maestro Jean Reis, em janeiro deste ano. Nele, estava o professor de Contrabaixo Acústico Marcos Machado. Natural de Bagé, no Rio Grande do Sul, o músico leciona na University of Southern Mississippi, nos EUA. Fiz, então, uma master class com ele. Por pouco, não ganho a bolsa, porque eu estava em Curitiba, no Paraná, representando a Banda Sinfônica Municipal na Oficina de Música de Curitiba. Lá, eu e Giovanna Contador ficamos na casa do contrabaixista Augusto Andrade, da Orquestra Sinfônica do Paraná. Também tive aula com Milton Masciadri, que foi professor de Marcos Machado. O evento durava duas semanas, mas, na segunda metade, começava o Fimub. Decidi voltar.
JC - Como os seus pais reagiram à notícia?
Pedro - No decorrer do festival, o professor Marcos fez diversas perguntas a mim. No final, momento em que houve uma apresentação na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, ele anunciou que eu ganhara a bolsa. Os meus pais estavam por lá e se emocionaram muito. Como já disse, eles me apoiam em tudo.
JC - Qual é a previsão para início das aulas?
Pedro - As aulas deverão começar no dia 28 de agosto. Ganhei uma bolsa de estudos integral, durante os quatro anos da graduação, que será feita em uma pequena cidade chamada Hattiesburg, no Mississippi. O restante dos gastos, como hospedagem e alimentação, ficarão por minha conta. Estou vendo de morar em uma república, com outros dois músicos brasileiros: Letícia e Ícaro. Tudo é intermediado pelo professor Marcos Miranda, da Bravo Academia de Música, em Bauru, que fez o seu doutorado na mesma universidade.
JC - O que pretende fazer depois de se formar?
Pedro - Eu tenho vontade de voltar ao Brasil, principalmente, por causa dos meus pais. Por outro lado, quero fazer mestrado e doutorado. A ideia é continuar estudando música.
JC - Qual o maior sonho?
Pedro - Tenho vários sonhos. Um deles é ter uma banda de rock de sucesso. Outro é entrar em uma grande orquestra e conseguir viver disso. Também gostaria muito de dar aula de música.
JC - Já que falou em banda de rock, você já tocou em alguma?
Pedro - Sim, em várias. A primeira delas, que não tinha nome, era formada pelos meninos do prédio onde eu morava: Guga Zuicker (guitarra), Gleison (guitarra), eu (guitarra) e Pedro Lucas (bateria). Já a segunda banda, The Black Vultures, abrigava Otaviano (baixo), Gulherme (guitarra e vocal), eu (guitarra) e um dos meus irmãos, o Rodrigo (bateria). Depois, toquei baixo em um power trio, ao lado de Pedro Lucas (bateria) e Miguel (guitarra), denominado Pônei não é Cavalo. Em seguida, surgiu a Distrito IV, composta por mim (baixo), Miguel (guitarra), Arthur Capello (guitarra, vocal e piano) e Pedro Lucas (bateria). Também fui guitarrista da Sansara, com Arthur Serrano (guitarra e vocal), Caio César (baixo) e Pedro Lucas (bateria). Por último, veio A Terceira Lei, que existe até hoje e é formada por mim (baixo), Guilherme Anzolin (guitarra e voz), bem como João Victor Nascimento (bateria).
JC - Por fim, qual é o conselho que você deixa para jovens como você, que desejam viver de música?
Pedro - Quem está começando a estudar música não deve encará-la como uma matéria de escola, em que você precisa sentar e estudar por horas a fio. O contrabaixista Victor Luton costuma falar que a música é uma língua e deve ser compreendida como tal. Quando você aprende o seu idioma nativo, enquanto bebê, não fica sentado em uma sala de aula. Você improvisa o tempo inteiro, ao ouvir e imitar os pais.
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PERFIL
Nome: Pedro Oliveira Areco
Idade: 19 anos (nasci em 23 de setembro de 1999)
Pais: Eliseu Areco Neto e Rosana Oliveira Regal
Irmãos: Gabriel Oliveira Regal, de 26 anos, Raíra Areco, de 29, e Rodrigo Oliveira Regal, de 39
Namorada: Júlia Ballarin Missawa, de 19 anos
Time: Não sou muito de futebol, mas o meu pai e os meus amigos mais próximos torcem para o São Paulo. Logo, tenho aproximação com este time
Filme: "O Show de Truman"
Livro: Toda a série do Harry Potter
Signo: Libra
Para quem dá nota 0: Hipocrisia
Para quem dá nota 10: Para os meus pais, que sempre me apoiaram
Contato: Pedro Areco (Facebook) e @pedroareco23 (Instagram)
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