| Marcele Tonelli |
| Formandos do primeiro semestre do Programa de Estímulo ao Primeiro Emprego |
Tímida, Sara da Silva Santos, 16 anos, mal apesentava trabalhos na escola, mas nesta semana ela foi a oradora de uma turma de 214 formandos. A transformação ocorreu, segundo a estudante, durante o curso do Programa de Estímulo ao Primeiro Emprego, oferecido pelo Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips), com apoio da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes). Na última quinta-feira (4), 214 jovens como Sara se formaram junto à entidade. Eles, agora, darão largada em busca do primeiro emprego.
Entrar para o mercado de trabalho é o objetivo de Sara, que pretende trabalhar para conseguir pagar os estudos. "Quero ser psicóloga igual às do Cips", projeta a garota, moradora do Parque Jaraguá. "Eu nunca me imaginei falando m público assim, é como se eu tivesse ficado bem mais responsável e mais esperta para tudo", completa a aluna, que teceu elogios ao trabalho da equipe da entidade em púlpito.
A mãe e a tia de Sara, dona Quitéria Silva Santos, 50 anos, e Jaqueline Prado, 29 anos, respectivamente, fizeram questão de prestigiar a formatura. "Ela mudou muito como pessoa depois que começou a frequentar o Cips. Não conversava direito e tinha um pouco de dificuldade com a leitura, mas, agora, virou a comunicadora da família. Até oradora da turma foi", elogia a tia. "Estou muito orgulhosa por tudo", completa a mãe.
A mesma felicidade era compartilhada pela formanda Ashley Isabele Santos Dias, 16 anos, e sua mãe Vanessa Almeida Carvalho, 35 anos, moradoras do Nova Bauru.
"Ela criou mais responsabilidade com horários e aprendeu a usar os circulares. Até as notas na escola melhoraram depois que ela começou a frequentar o curso", relata Vanessa.
Já Ashley conta das novas perspectivas que as aulas, principalmente de informática, deram a ela. "Despertou um pouco o gosto por essa área de computação, penso em alguma formação nesta área", reforça.
IMPORTÂNCIA
O Programa de Estímulo ao Primeiro Emprego visa a preparação de jovens carentes, de 14 anos e 6 meses a 17 anos e 11 meses, para o competitivo mercado de trabalho. A seleção é feita junto aos Centros de Referência em Assistência Social (Cras) de cada bairro. Por ano, são disponibilizadas cerca de 450 vagas. Duas turmas se formam por semestre.
| Marcele Tonelli |
| João Carlos Previdello, presidente do Cips |
"Muitos alunos vão para o mercado de trabalho antes mesmo da formatura. Durante o curso, os jovens adquirem iniciativa, além de conhecimento em diversas áreas", destaca João Carlos Previdello, presidente do Cips. "Nossas vagas são bastante disputadas por causa desses resultados positivos", acrescenta. No Cips, os estudantes têm aulas de informática, cidadania, ética, postura, português, matemática, além de praticarem esportes. "Muitos chegam aqui com grande defasagem escolar", complementa Talita Xavier Martins, coordenadora geral do Cips.
Assistente social da Sebes, Kelen Caldeira esteve no evento representando o secretário da pasta José Carlos Fernandes.
"Este é um trabalho sério e ver os resultados é gratificante. Cerca de 60% dos alunos já estão inseridos no mercado", cita.
A mesa também foi composta por Edimilson Fernandes, tesoureiro do Cips; Flavia Martins, assistente social da entidade; e por Marcos Testa, representante do grupo Expresso de Prata, empresa que há anos contribui diretamente com as atividades do Cips, que comemora 58 anos em 2019. O evento foi marcado por apresentações culturais de música de dança de grupos de alunos da entidade.