| Vinicius Bomfim |
| Amador Echevarría com a esposa Judith e os filhos Carolina, Alejandro e Ana Maria estão torcendo pelo Peru hoje |
O Peru voltou a figurar entre as seleções de destaque do futebol sul-americano nos últimos anos. Depois de décadas fora das disputas principais, os peruanos começaram a apresentar bons resultados na Copa América em 2011 e 2015, quando ficaram na terceira posição em ambas, e, após 36 anos, voltaram a disputar uma Copa do Mundo em 2018. Aqui em Bauru, peruanos que escolheram o Brasil para morar e ganhar a vida também estão contentes com a boa fase do país no futebol e acreditam que a seleção foi até mais longe do que o esperado.
Natural da capital Lima, Amador Echevarría mora em Bauru há dois anos e abriu um restaurante com comidas típicas do país andino no Jardim América. Entre os frequentadores, estão outros peruanos que residem no município e muitos brasileiros que apreciam a culinária do Peru - em especial o ceviche, prato feito com peixe cru marinado em suco de limão, e as bebidas, como o Pisco Sour, feito com pisco e limão.
SATISFEITOS
Hoje, ele, a esposa Judith Sierra, e os filhos Alejandro, Carolina e Ana Maria acompanharão a partida entre Brasil e Peru no estabelecimento da família, ao lado de peruanos e brasileiros. "O Peru está indo bem, perdemos feio para o Brasil na primeira etapa, mas depois passamos pelo Uruguai e ganhamos jogando uma partida ótima contra o Chile, que é um rival tradicional do Peru. O Brasil é favorito, joga em casa e tem uma grande seleção, mas temos que acreditar. Estamos torcendo muito pelo Peru, o time já chegou longe, mas se o Brasil ganhar, ficaremos felizes também, afinal adotamos o Brasil como nosso país. Estamos morando aqui há dois anos e gostamos demais, nosso relacionamento com os brasileiros é ótimo. Pretendemos ficar de vez por aqui", lembrou.
O Peru teve duas grandes conquistas até hoje, os dois títulos na Copa América, em 1939 e 1975. Aos 53 anos de idade, Amador se recorda bem do segundo título. "Era um bom time, os destaques eram o Teófilo Cubillas e o Juan Carlos Oblitas. Foi um período bom da seleção peruana, que tinha ido para a Copa do Mundo de 1970 e depois foi para a Copa de 1982. Voltamos a ter uma seleção forte agora", pontua.
Do elenco atual, ele considera o atacante Guerrero como o principal destaque, assim como Cueva e Fárfan. "Fora o Guerrero, que é mais velho, a maioria do elenco é relativamente jovem e pode tentar a classificação para mais duas ou três Copas do Mundo ainda. É uma geração que está se valorizando agora no futebol", afirma, mostrando o otimismo recuperado pelos peruanos com a seleção. No Peru, Amador torce para o Club Universitario, time que rivaliza com o Alianza Lima e o Sporting Cristal. No Brasil, ainda não adotou uma equipe.
Três seleções no coração
A esposa Amador Echevarría, Judith, 42 anos, é colombiana. Nasceu em Barranquilla - terra da cantora Shakira - onde morou até os 30 anos. Mudou para o Peru ao se casar com Amador e agora acompanha o marido no Brasil. "Eu torço para a Colômbia primeiro, mas aprendi a gostar do Peru por ter morado lá e pela família, e agora também para o Brasil. Acompanho menos futebol, mas gosto de ver as seleções", frisou.
Os três filhos do casal nasceram no Peru e torcem para a seleção peruana, mas também gostam do time colombiano e da Seleção Brasileira. "O Guerrero é o melhor jogador. Torço para o time onde ele estiver", afirmou Alejandro, de 10 anos. O atacante já foi do Corinthians e Flamengo, e atualmente está no Internacional. Já o meia Cueva é outro jogador conhecido por aqui, pois atuou no São Paulo e no momento é do Santos.
As irmãs gêmeas Carolina e Ana Maria também estavam no clima do jogo e ontem já usavam camisas da seleção peruana. Hoje, eles acreditam que cerca de sete famílias peruanas devem comparecer ao restaurante para acompanhar a partida, além de amigos brasileiros, todos confraternizando a amizade entre os dois países.