11 de julho de 2026
Nacional

'Um tsunami vem pintando', diz historiador sobre futuro do emprego no Brasil

Reuters
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Já passava da metade da conferência na Flip de José Murilo de Carvalho, um dos maiores historiadores em atividade no país. A também historiadora Heloisa Starling, uma das mediadoras, lembrou uma entrevista de Carvalho de duas décadas atrás. Àquela altura, ele dizia: "Somos um povo que vive de sonhos desfeitos".

A partir dessa frase, ela perguntou: "O que deu errado no nosso desejo de futuro?"

"Quantas horas nós temos?", respondeu o historiador, despertando, mais uma vez, os risos do público do auditório da Matriz, em Paraty. "Me preocupa muito hoje a distância para realizar um país com um mínimo de igualdade e uma democracia estabilizada."

Muito por conta do entrosamento entre Carvalho e as mediadoras (além de Starling, a socióloga Angela Alonso), houve humor ao longo da conferência. Mas o que prevaleceu foi o sentimento de desencanto. É muito provável que Carvalho tenha protagonizado a mais amarga das conferências dessa edição da Flip até agora.

"Estou organizando um seminário sobre 2050 e penso muito sobre a direção em que estamos caminhando. Tenho visto estatísticas de economia, educação, demografia... Enquanto estamos brigando [refere-se às polarizações políticas], um tsunami vem pintando e não estamos percebendo", afirmou.

Carvalho completou: "Não são só os 13 milhões de desempregados. São, sobretudo, os milhões que não são mais empregáveis dado o avanço da tecnologia. Como vamos incorporá-los à economia com um país crescendo a 1,5%, 2% ao ano?"

Antes de expor suas preocupações com o futuro, ele havia falado sobre o passado do país.

Questionado sobre qual seria o "pecado original da República", título de um de seus livros, Carvalho lembrou que apenas 5% dos brasileiros tinham direito a voto quando houve a proclamação da República, em 1889. "Só na década de 1940 começou uma participação popular mais efetiva nas eleições", disse.