07 de julho de 2026
Geral

A principal arma usada por eles é a fé

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

O termo "capelão" surgiu na França, há centenas de anos, quando um príncipe cedeu parte da sua capa, denominada capela, para aquecer um morador de rua. Embora pouco usada, a expressão ainda resiste no vocabulário dos integrantes da Associação PMs de Cristo. Sem fins lucrativos, a entidade abriga diversos capelães, que dão apoio espiritual aos policiais de todo o Estado de São Paulo. Em Bauru, três voluntários desempenham tal papel e outros dois os auxiliam.

Primeira mulher a se tornar uma capelã bauruense, a sargento reformada Maria Aparecida Zani Scarpelli exerce a função desde 1997, um pouco antes de se aposentar. Porém, ela só recebeu o título há três anos, momento em que fez o curso necessário. "Recebi um chamado de Deus", acrescenta.

De acordo com a capelã Zani, a corporação recebe ataques morais e psicológicos quase que diariamente. "O índice de suicídios entre os policiais é grande. Para se ter ideia, ouvi relatos de um policial que queria se matar, mas desistiu depois de ouvir as nossas palavras", revela.

Além dela, o capitão reformado Vander de Oliveira Pires e o pastor Delton, da Igreja Restaurar, também são capelães, em Bauru. O grupo conta com o auxílio dos cooperadores José Antonio Tiroel, da Assembleia de Deus - Ministério do Ipiranga, e Henrique Marcelo Salles Pupo, da Rasgando os Céus.

Segundo o capelão Vander, a Associação PMs de Cristo foi fundada em 25 de junho de 1992, em São Paulo, por 74 policiais. Enquanto estudavam na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, eles utilizavam os intervalos para fazer orações. Então, o grupo, formado apenas por evangélicos, ganhou o status de instituição.

Tanto que, hoje, a entidade atua nos 10 Comandos de Policiamento do Interior (CPI) e nos 12 Comandos de Policiamento de Área (CPA), que abrangem a Capital e a Região Metropolitana.

Mesmo evangélicos, a missão dos voluntários é conversar com pessoas de todas as religiões, desde que queiram. A equipe também trabalha em eventos, como velórios e formaturas, além de fazer atendimentos individuais, quando solicitados.

COMO FAZER PARTE?

O capelão Vander está na Associação PMs de Cristo desde 1995, mas, assim como Zani, ganhou o título há três anos. Para tanto, não é necessário possuir vínculo com a corporação, basta receber o convite, fazer o curso e ter disponibilidade de tempo.

Semanalmente, os capelães e os cooperadores visitam o 4.º Batalhão, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Rodoviária e a Polícia Ambiental. "Com a autorização do comando, lemos um trecho da Bíblia e fazemos uma oração. Não demora mais do que cinco minutos, mas faz diferença", complementa o capitão reformado.

Vez ou outra, o apoio espiritual se mistura com o psicológico, desenvolvido pelo Núcleo de Atenção Psicossocial (Naps). "Um indica o serviço do outro, afinal, toda ajuda é bem-vinda. Geralmente, os policiais passam por estresse diário e, quando enfrentam problemas familiares, precisam de ainda mais assistência", informa a capelã Zani.

A Associação PMs de Cristo corresponde a uma instituição independente da corporação. Ela é presidida pelo major ativo Joel Rocha e vice-presidida pelo coronel reformado Alexandre Marcondes Terra.

SERVIÇO

Para saber mais sobre a Associação PMs de Cristo, basta acessar o site www.pmsdecristo.org.br.