| Malavolta Jr./JC Imagens |
| José Henrique Germann Ferreira, secretário de Saúde, fala sobre a expectativa do novo “Corujão” |
A Secretaria de Estado da Saúde inicia, neste mês, o "Corujão da Radioterapia" em Bauru e região. A ação, cujo chamamento foi aberto hoje no Diário Oficial (leia mais abaixo), contratará serviços privados de saúde para tentar zerar a demanda reprimida de pacientes com câncer que necessitam do tratamento radioterápico e residem em um dos 68 municípios abrangidos pelo Departamento Regional de Saúde (DRS-6). Hoje, a fila de espera é de 93 pessoas e a expectativa é de que mais de R$ 1,6 milhão será destinado para esta finalidade.
Segundo a pasta estadual, a medida é resultado da necessidade de ampliar o acesso oncológico na região, que tem como uma das principais referências o Hospital Estadual (HE) de Bauru, classificado como Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon).
Para se ter uma ideia, a unidade abrange 98,2% das solicitações desse tipo de atendimento em toda a região e, no momento, enfrenta a paralisação das obras de implantação de um novo acelerador linear, por parte do Ministério da Saúde (leia mais abaixo).
CASOS DIVERSOS
A contratação dos serviços privados, filantrópicos e sem fins lucrativos do "Corujão" visa atender a uma demanda atual de 93 pacientes que precisam realizar sessões de radioterapia na região, abrangendo, por exemplo, casos de câncer de mama, próstata, cabeça e pescoço, sistema digestivo, entre outros.
Os pacientes serão atendidos em serviços habilitados em oncologia, que deverão seguir as diretrizes do SUS, com atendimento humanizado ao paciente e orientações à seus familiares quanto à assistência, condutas clínicas, procedimentos e estado de saúde.
"Com este 'Corujão' voltado especificamente à área de oncologia, queremos garantir que os pacientes com câncer possam realizar as sessões de radioterapia com maior agilidade, o que sem dúvidas contribui para o sucesso do tratamento", afirma o secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann Ferreira.
PRIORIDADE
Os tratamentos serão agendados por contato telefônico prioritariamente para os pacientes com demanda já cadastrada pelos municípios na Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde (Cross). Deverão ser realizados no período de 180 dias, prorrogáveis por igual período, a contar da data de formalização da parceria por meio de Termo de Adesão, convênio ou contrato.
Não foram informados os horários em que os tratamentos serão feitos, uma vez que, em outras áreas, o "Corujão" funciona, costumeiramente, em períodos alternativos, como de noite e madrugadas (daí o nome do programa).
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Chamamento público
O chamamento público para serviços de saúde interessados em participar do “Corujão da Radioterapia” está publicado no Diário Oficial hoje.
A seleção dos estabelecimentos será feita com base em critérios técnicos, mediante à apresentação de documentos que atestem a habilitação jurídica, regularidade fiscal e qualificação técnica.
Os parceiros privados serão remunerados com base na tabela definida pelo SUS, por meio de repasse da pasta, que também fará o monitoramento do atendimento feito pelas unidades parceiras.
Os documentos para habilitação deverão ser enviados em envelope lacrado ao DRS de Bauru, localizado na rua Quintino Bocaiúva, 545.
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Obra para instalar acelerador linear no Hospital Estadual está suspensa pelo Ministério da Saúde
| Vinicius Bomfim |
| Segundo o Ministério da Saúde, obra no Hospital Estadual foi interrompida para readequações técnicas no projeto de construção |
A abertura do "Corujão do Radioterapia" tenta preencher uma lacuna que preocupava Bauru. O Ministério da Saúde interrompeu as obras do prédio idealizado para abrigar um acelerador linear, equipamento moderno e com alto nível de precisão aguardado há anos em Bauru para o tratamento de radioterapia em pacientes com câncer. A paralisação foi confirmada nesta semana ao JC pelo próprio órgão federal.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o ministério informou que precisou suspender a construção, que fica nas dependências do Hospital Estadual (HE), para readequações técnicas, necessárias para "compatibilizar a execução dos projetos da obra com o orçamento previsto".
"Como exemplo, podemos citar o reforço necessário no piso armado, visando evitar danos estruturais após a instalação do equipamento, que pesa aproximadamente 12 toneladas. Tais adequações devem observar ritos processuais que, até serem concluídos, obstam temporariamente o prosseguimento das atividades previstas no cronograma inicial", detalha, em nota.
Ainda de acordo com o órgão, o equipamento, doado ao HE por meio de um programa do próprio Ministério da Saúde, será instalado assim que as obras terminarem. O prazo, contudo, não foi divulgado.
DEMANDA ANTIGA
Segundo o JC apurou, a obra está paralisada há cerca de um mês. Ela é necessária para que o acelerador linear possa funcionar de maneira segura, com proteção de emissão externa de radiação.
Em janeiro deste ano, o jornal já havia publicado matéria sobre o assunto, quando o ministério previu que o prédio seria concluído em 23 de maio e que o acelerador linear chegaria a Bauru em 19 de maio para sua efetiva instalação. Inicialmente orçada em R$ 5,3 milhões, a obra começou em julho de 2018.
A expectativa pelo início do funcionamento do acelerador linear, no entanto, é muito mais antiga. A ONG Amigas do Peito, que realiza ações de prevenção e presta assistência a mulheres acometidas pelo câncer de mama em Bauru, já reivindicava um equipamento com esta tecnologia dentro do SUS desde 2011, conforme conta a presidente Clara Vasconcellos.
"Fizemos um abaixo-assinado contendo 20 mil assinaturas, com este pedido ao governo do Estado. Posteriormente, recebemos a resposta de que o Ministério da Saúde garantiria o equipamento para Bauru", relembra.
MAIS EFICAZ
Foi em 2012 que o HE foi escolhido para receber um dos 80 aceleradores lineares anunciados pelo Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, lançado pelo Ministério da Saúde. Dentro do projeto, também estava contemplada a realização de obras para acomodar o aparelho.
Ao longo do tempo, matérias publicadas pelo Jornal da Cidade mostraram que os prazos estabelecidos para o início do serviço nunca foram cumpridos. Com isso, há aproximadamente dois anos, o Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6) firmou convênio com um centro oncológico particular, que possui um acelerador linear semelhante para a realização de radioterapia nos pacientes que possuem recomendação médica.
"Esses equipamentos são mais eficientes do que o de cobalto, que já são considerados obsoletos. O acelerador é muito mais eficaz porque consegue delimitar a área que deve receber a radioterapia. Além de garantir melhores resultados, ele também gera menos efeitos colaterais", explica Clara.
O problema, ela acrescenta, é que a demanda de Bauru é grande e o centro oncológico, além do SUS, também atende pacientes da rede particular. Como o HE recebe pacientes de toda a região, a espera, ainda de acordo com a presidente da ONG, chega a ser de dois a três meses para agendamento.
"É necessário que Bauru tenha um acelerador linear para atender exclusivamente o SUS. Assim, certamente, o atendimento se tornará mais rápido, o que pode fazer toda a diferença para quem está travando uma batalha contra o câncer", completa.