| BuscaPet/Divulgação | |
| Barão, da BuscaPet, é um cão farejador que busca animais desaparecidos em zonas urbanas e rurais com seu treinador |
Os dias não estavam fáceis para Maria** no verão de janeiro de 2017. Vítima de uma doença grave, ela se submeteu a uma cirurgia e precisou deixar sua poodle, chamada Kika, na casa da mãe durante a internação, em São Paulo. O que ela não esperava era que aquela podia ter sido a última vez que a cachorra se estenderia sobre os seus braços.
A cadela fugiu assim que a dona se hospitalizou e ficou cinco dias sem dar sinal de vida. Foi aí que a família recorreu ao serviço de procura por animais desaparecidos da Busca Pet.
Mesmo recém-operada, Maria decidiu acompanhar as investigações nas ruas da cidade e não demorou muito para se encantar com o trabalho do membro especial da equipe: o Barão, um cão farejador da raça Rastreador Brasileiro, desenvolvida pelo cientista Oswaldo Aranha, na década de 1960, para ser resistente às características climáticas e geográficas do País.
Barão, de seis anos de idade, resolveu a angústia da mulher em apenas quatro horas. Bastou seu treinador lhe dar uma pelúcia com o odor de Kika para ele descobrir pelo olfato o caminho percorrido por ela.
O segredo para o sucesso é a metodologia de ensino Rastro Purador Específico, na qual se oferece uma fonte de cheiro ao cão e ele aprende a procurar por uma igual. Isso serve para encontrar qualquer tipo de bicho, como gato, cavalo, vaca e até mesmo aranhas, tartarugas e hamsters.
A estratégia também é usada pela empresa com seus dois outros cães (Irá e Gugo) desde 2016, quando foi criada. Segundo o fundador e diretor técnico da Busca Pet, Jorge Pereira, o treinamento leva até dois anos e cada um tem sinais e especialidades diferentes, que variam de acordo com o comportamento de cada cachorro.
Irá, por exemplo, só faz buscas em mata e zona rural, sempre focando os olhos no chão. Já Gugo se destaca por dificilmente 'pedir' descanso nas procuras e por levantar o rabo para avisar que está no rastro do desaparecido. Enquanto isso, Barão trabalha se orientando pelas correntes de ar com o cheiro do alvo.
As investigações contam também com drones, câmeras de visão noturna e armadilhas de captura específicas para cada espécie. Há ainda um biólogo que explica o modus operandi de cada bicho, uma vez que cada espécie tem um jeito único de se movimentar e buscar sobrevivência.
"Se é um cachorro sociável, ele vai buscar a companhia das pessoas. O assustado evita se aproximar e explora a área dando voltas em forma de caracol", descreve. "Quando o pet se perde perto de casa, ele vai para lugares que conhece, como praças. Agora quando não sabe onde está, ele procura onde tem água, de maneira sorrateira", completa.
De janeiro de 2017 a janeiro de 2019, a empresa calcula 650 buscas, em média, no Estado de São Paulo. Dessas, cerca de cinco deram errado sob a suspeita de sequestro, pois o cheiro do animal ia até determinado ponto e depois desaparecia. Ou seja, provavelmente o pet foi colocado dentro de um veículo ou o criminoso o pegou nos braços e não deixou vestígios.