08 de julho de 2026
Geral

Uma experiência gravada na pele

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Um desafio pessoal marcado na pele para guardar de lembrança. É isso que o baiano Jandelson Batista dos Santos, de 37 anos, veio fazer em Bauru. Nascido em Itamira, Interior da Bahia, o empresário apaixonado por Crossfit soube do trabalho de um tatuador bauruense, por meio do esporte, e resolveu se programar para essa viagem. O transporte escolhido: uma bicicleta.

Ele saiu de sua cidade rumo a São Paulo, onde chegou após 20 dias de viagem: 17 pedalando e três descansando. "Esse foi um desafio pessoal. Não sou ciclista. Sou estudante de Educação Física, mas tenho uma academia há anos e amo Crossfit. Já tinha tentado fazer esse percurso há dois anos, mas estava fora de condicionamento e tive de parar depois de nove dias e 1.080 quilômetros percorridos", afirma.

Mas, na segunda tentativa, Jandelson concluiu seu trajeto de 2.007 quilômetros de Itamira até São Paulo, levando, na bagagem, não só a vontade de chegar em Bauru, mas as histórias de quem encontrava pelo caminho. "A minha ideia era registrar isso em um documentário e conversar com as pessoas, reunir os relatos dos andarilhos e de quem passa na beira da estrada. Tudo isso eu disponibilizei no meu canal do YouTube (Jandelson Batista) e no meu Instagram (@jandelsonbatista) pessoal", comenta.

E a bagagem de verdade? Ah! Essa ficou por conta do amigo de Jandelson, que tem uma transportadora e levou da Bahia para São Paulo uma mala com roupas e a moto, que ele utilizará para voltar para casa. "Até Bauru, vim com a moto de um amigo de São Paulo. A minha bike vai voltar para a Bahia com o meu amigo transportador, que trouxe de lá a minha moto e as minhas coisas", explica.

TATUAGEM

Todo esse empenho para viajar mais de 2 quilômetros de bike já era vontade antiga, mas, após não conseguir na primeira tentativa, Jandelson deixou o projeto para mais tarde. Foi quando ele viu nas redes sociais o bauruense Anderon Primo, conhecido atleta de Crossfit da cidade, que fez uma tatuagem no estúdio do Ewer Sumati. "Eu achei muito legal o trabalho do tatuador e entrei em contato com ele. Isso faz quase um ano. Falei o que gostaria de tatuar e ele foi trabalhando nisso, enquanto eu programava essa viagem", conta.

Tatuador há 22 anos, Sumati está acostumado a atender pessoas de todo País, mas a forma excêntrica como Jandelson chegou até seu estúdio, chamou sua atenção. "É muito bacana pensar que ele pedalou tudo isso para ter essa tatuagem. Uni todos os elementos que ele me passou de uma forma harmônica para chegarmos a este resultado", diz.

VÁRIAS HISTÓRIAS

Apesar da dor na panturrilha, local escolhido para figurar a obra de Sumati, Jandelson confirma que o esforço, de cerca de 7 horas de sessão, valeu à pena. "Já tenho uma (tatuagem) no braço, sei que dói mesmo. Mas essa tem todo um significado especial para mim, tá valendo", declara, entre caretas de dor e risos.

A imagem, que mostra um lobo e uma bússola em primeiro plano, um berimbau, as datas de nascimento e nomes dos dois filhos, um ciclista e a natureza, foi pensada para contar as várias histórias da vida de Jandelson. "O lobo remete aos cães que eu tenho na minha empresa de segurança, a bússola são os caminhos que percorri, o berimbau é porque dou aulas de capoeira e a bike conta sobre essa viagem. Além dos meus filhos e da natureza que sempre esteve presente na minha vida", finaliza Jandelson.