| Pilar Olivares/Reuters |
| Cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos - Lima 2019 - no Estádio Nacional, em Lima, no Peru no dia 26 de julho |
A colorida cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos foi um espetáculo de deixar qualquer peruano orgulhoso. O espetáculo passou por toda a história e cultura do país e o público deu um show à parte, vibrando e ovacionando todas as delegações. A grande surpresa foi a entrada da dupla de porta-bandeiras do Brasil no estádio: Kahena Kunze carregou Martine Grael, que segurava a bandeira, no ombro. Foi a primeira vez que o País teve mulher como porta-bandeira no Pan.
"O coração está batendo até agora, foi muito rápido. Mas esse dia vai ficar para a história", disse Martine. Sua parceira Kahena também festejou e mostrou-se emocionada com o feito e por poder representar outras mulheres da delegação brasileira. "A gente queria inovar e pensar em fazer isso", completou, sobre ter carregado a parceira nos ombros.
O cenário principal trouxe um conceito de dualidade com referências dos elementos naturais do Peru, como montanhas nevadas e o rio Amazonas, e dos elementos culturais, como templos e construções de pedras chamadas Huacas, que serviam para reverenciar as divindades. E esse cenário serviu de pano de fundo para diversas manifestações artísticas.
A montanha media mais de 20 metros de comprimento por 35 metros de largura. No total, 1.933 pessoas participaram do show. No início, as luzes do estádio foram se apagando e começou uma contagem regressiva. No decorrer dele, cada edição anterior dos Jogos Pan-Americanos foi homenageada. Quando o relógio ficou zerado, os dançarinos correram para o centro do campo do estádio e dançaram, criando o logotipo do Pan de Lima.
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| Mascote dos Jogos Pan-Americanos em performance durante a abertura de ontem |
Na segunda parte da festa, o país anfitrião apresentou sua bandeira e seu hino, citando ainda os 49 idiomas do Peru. Delfina Paredes, famosa atriz local, recitou um poema em espanhol. Depois, o deus Pariacaca (parte ave, parte felino e parte serpente) apareceu e convocou os chasquis, uma versão antiga dos atuais maratonistas.
Com um show de luzes, Pariacaca chamou as estrelas, que caíram no estádio. Foi a parte do espetáculo chamada de Amanhecer Pacífico, que retratou ainda os "caballitos de totora", onde pescadores voltavam para casa e usavam as ondas para chegar à praia. Os peruanos consideram eles os "pais" do surfe moderno.
Depois de falar de astronomia e raízes culturais, o show falou do Amanhecer Amancay, famosas flores típicas. E elas deram um colorido para o espetáculo. Então entrou na parte esportiva em si, destacando os 52 pictogramas e uma imagem gigante de Milco, mascote dos Jogos Pan-Americanos em Lima. Assim, Guillermo Bussinger, Pelo D'Ambrosio, Sandra Muente e Shantall cantaram a música do Pan.
Depois, pela ordem alfabética e deixando o anfitrião Peru por último, as delegações foram entrando no estádio. Martine e Kahena, porta-bandeiras do Time Brasil, se revezaram na função à frente de 110 pessoas da delegação, de 13 modalidades: badminton, ciclismo MTB, vôlei de praia, basquete 3x3, tiro esportivo, rúgbi, hipismo, pentatlo moderno, nado artístico, levantamento de peso, surfe, squash e vela.
Na sequência, o espetáculo abordou os caminhos incas e rituais ancestrais. Também tocou na famosa gastronomia peruana e a abundância de alimentos. A lã e o algodão foi destacado com muito colorido entre danças e movimentos coordenados até chegar nos tecidos de vanguarda e um verdadeiro desfile de moda.
Então, o show desembarcou na capital Lima. Entrou em cena o tenor Juan Diego Flórez e os bailarinos recriaram no campo a marca Peru, uma ferramenta de promoção do turismo no país. Na sequência, veio a parte de juramento dos Jogos, com discursos de Neven Ilic, presidente da PanAm Sports, e Carlos Neuhaus, presidente do Comitê Organizador.
O momento mais impactante foi mesmo no final, quando cada uma das nações pré-hispânicas entraram no estádio. O grupo foi formando desenhos com luzes até que um raio revelou o Intihuatana (que ocorre apenas nos equinócios em Machu Picchu) na montanha. As cenas foram bem bonitas e o público mais uma vez vibrou.
Então a tocha pan-americana foi carregada por Edith Noeding, ouro no atletismo no Pan de 1975, dois jovens talentos (Ariana Baltazar, do judô, e Carlos Fernández, do tênis de mesa), Lucha Fuente, três vezes prata no vôlei, e Cecilia Tait, prata na Olimpíada de Seul no vôlei até a pira ser acesa. A partir daí, Luis Fonsi colocou os 50 mil torcedores para dançar até depois de sete canções encerrar o evento com seu hit "Despacito".
QUASE BARRADAS
O Brasil inovou no Pan-2019. Pela primeira vez, as porta-bandeiras da delegação no desfile de abertura foram duas mulheres. A situação inusual provocou uma pequena saia justa para as velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze na entrada do Estádio Nacional, em Lima, que quase foram barradas.
"O cara não entendeu na porta que eram duas porta-bandeiras e queria bloquear a Martine. Eu gritei: 'Não, não! Vem comigo, senão também não vou'", disse Kahena, que junto com a colega, é campeã olímpica da classe 49erFX. As declarações foram colhidas pelo Comitê Olímpico Brasileiro logo depois do desfile dos 110 brasileiros, entre atletas e oficiais, que participaram da cerimônia de abertura.