09 de julho de 2026
Entrevista da semana

Benedito Lopes: entre sabores e gargalhadas

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

De riso fácil e sorriso largo, seo Benê, como gosta de ser chamado o empresário Benedito Lopes, aos 65 anos, reúne diversas histórias dos tempos em que viajava com seu ônibus de churros e batata por conta das festas, quase que os 12 meses do ano.

Além, é claro, dos relatos dos 23 anos em que atende pessoas de Bauru e visitantes de diversos locais do País, na Praça da Paz, com seu trailer de churros. Hoje, o estabelecimento oferece mais de 70 opções, sem contar as combinações possíveis, ao gosto do cliente.

Nesta entrevista, ele ainda fala de algumas paixões, que desfruta nos momentos de lazer sozinho ou em família. Confira os principais trechos abaixo:

Jornal da Cidade – Nasceu aqui em Bauru mesmo?

Benê – Eu nasci em Araçatuba e vim para Bauru com um pouquinho menos de seis anos. Cresci no Bela Vista. Saí de lá em 1980, quando tinha 27 anos, para trabalhar em um frigorífico.

JC – Lá o senhor morava com seus pais? O senhor tem irmãos?

Benê – Tenho um irmão e uma irmã, que já faleceu. Nós crescemos juntos, com os meus pais, lá no Bela Vista.

JC – O senhor comentou que começou a trabalhar no frigorífico, mas quando aparece o churros na sua vida?

Benê – Os churros surgiram em 1992, quando eu trabalhava na Ajax. Foi a época em que eu tirei uns dias de férias e levei a família para praia. Lá, tinha um primo da minha esposa que trabalhava vendendo batatas fritas. Foi ele quem me contou que um fabricante estava vendendo a máquina de batatas que custava, na época, 1,2 milhão de cruzeiros, por 600 mil cruzeiros. Por brincadeira, eu falei que por 400 mil eu comprava e o cara aceitou. Voltei pra casa com a família fazendo piada.

JC – Por que o pessoal fez piada com isso?

Benê – Eles não achavam que eu ia querer esquentar a barriga na gordura. Mas que nada... a primeira festa que eu fiz foi em Pederneiras, a conselho do meu cunhado. Nossa Senhora! Aconteceu uma coisa espetacular. Eu vendi muita batata. Paguei todas as minhas despesas de transporte, aluguel, apartamento, da comida, da batateira e ainda sobrou dinheiro. Pedi as contas e viajávamos do final de abril até dezembro por várias cidades no nosso ônibus. Só em 1992 foram 11 lugares. Mas era muito cansativo e, em 1995, resolvemos fazer um ponto fixo de churros na Praça da Paz.

JC – Seus churros são tradicionais na cidade com diversas peculiaridades, como os nomes. De onde surgem?

Benê – A gente sempre teve os cinco principais, que as pessoas já davam risada por ter o Romeu e Julieta, por exemplo, de goiabada com catupiry. Os demais eram os clássicos de doce de leite, chocolate e os de goiabada, e de catupiry, que o pessoal não ria, gargalhava. Esse salgado, eu fiz para quem não podia comer doce ou não gostava. Todos os nomes têm uma história e iam para o cardápio na ordem de criação.

JC – Desses tantos, qual deles é o mais famoso e qual é o seu preferido?

Benê – Sem dúvida, o mais famoso é o Hilda Furacão, o primeiro que eu criei, com chocolate, doce de leite e catupiry. Ele chamava triplo, inicialmente, mas depois eu mudei fazendo uma brincadeira com a novela da Globo que passava em 1998. Já o meu preferido tem história. É o número 10, o Jeca Tatu. Ele é com abóbora. Dei nome em homenagem ao Mazzaropi, de quem eu sou muito fã, desde pequeno.

JC – Que história é essa do Jeca Tatu?

Benê – A gente já recebeu gente de muitos lugares porque os universitários levavam os churros para suas cidades. Então, sempre vinham pessoas de fora, dizendo que sabiam da gente. Mas, um dia, uma senhora de Taubaté veio até Bauru para comer o Jeca Tatu que, coincidentemente, faz homenagem ao Mazzaropi, que é Taubaté. Ela já conhecia o churros, mas quando comeu, ficou tão emocionada que eu até chorei.

JC – E quais são os nomes que chamam mais a atenção?

Benê – Eu sou piadista, sempre fui de fazer graça. Mais novo, meus amigos falavam que eu tinha de ser humorista. Então, os nomes são bem-humorados. Os com duplo sentido sempre fazem as pessoas rirem. A gente tem um de amendoim que eu dei nome de Power Guido, por exemplo. Outro é o Amei...xapado, que eu dei para o churros com ameixa, por conta de um homem bêbado que eu vi.

JC – O senhor falou que trabalhou muito todos esses anos, mas quando não está na praça, o que gosta de fazer para relaxar?

Benê – Eu gosto muito de novelas, de música, de futebol. Sou bem caseiro, assisto aos jogos todos. Tem gente que pensa que, por não estar na praça, eu já morri. Mas estou aqui, tenho os tendões dos dois braços rompidos, mas faria tudo de novo. Os meus funcionários são uma família para mim também e fico feliz por tê-los comigo por tantos anos.

PERFIL

Nome: Benedito Lopes

Esposa: Ana Regina Lúcia Xavier Lopes, mas eu chamo de Rabuja

Filhos: Leandro Douglas Lopes e Nathalia Aparecida Lopes

Time: Santos, desde 1960

Lema para a vida: Sorrir, trabalhar e cuidar da saúde

Hobby: Futebol

Nota 10: Minha mãe, Rabuja (esposa), Leandro e Nathália

Nota 0: Miséria

Contato: lopesleandro@live.com