09 de julho de 2026
Articulistas

Contrato do lixo

Nélson Itaberá
| Tempo de leitura: 2 min

A Emdurb, infelizmente, não vai aguentar por muito mais tempo suportar a diferença entre o custo do serviço que tem condições de praticar e a pressão do mercado. Tanto é que a empresa municipal está perdendo, para o mercado, uma série de contratos (chorume, coleta e destinação do lixo hospitalar etc).

O governo municipal vem tentando acomodar a situação através de uma operação administrativa discutível do ponto de vista legal. A Emdurb usa de sua prerrogativa de prestadora exclusiva de serviços ao município. Mas o governo municipal adota o "jeitinho" para, ao final da cotação de preços para serviço de coleta de lixo orgânico, por exemplo, submeter o menor valor à Emdurb. É um "baita privilégio"!

A empresa municipal aguarda o mercado dizer o preço que faria o serviço e ela, Emdurb, em uma espécie de "leilão disfarçado" vem cobrindo o preço da tonelada ao final, pelo serviço. Isso vem sendo feito há anos. Acontece que agora, neste julho de 2019, a Prefeitura acaba de prorrogar, por mais 6 meses, o contrato com a Emdurb. E nesta prorrogação, de novo, como antes, a Emdurb aceitou praticar o serviço de coleta domiciliar por um preço inferior ao que ela diz que lhe custa, operacionalmente.

Na prática, a administração está afirmando, no processo, que a Emdurb sucateia sua operação para manter os empregos e serviço. Acontece que a empresa municipal, neste momento, não poderá pedir realinhamento de preços antes de 90 dias da última mudança. Ou seja, além de ser discutível mudar, no meio do caminho, o valor do preço que as partes ajustaram em contrato, a cobertura do buraco terá de esperar, ampliando o conhecido prejuízo operacional.

O governo empurra com a barriga a questão. E, paralelo, corre o processo de eventual concessão ou PPP do lixo, mas sem transferência da coleta, segundo o prefeito Clodoaldo Gazzetta. E tem muita curiosidade nesse tema. Veja que na cotação de preços realizada pela Prefeitura, para a prorrogação assinada neste mês de julho 2019, as empresas que tinham preços bem menores (consultadas no início do ano) não integram o "novo processo". Por quê?