09 de julho de 2026
Esportes

Torcedor é retirado pela polícia após xingar Bolsonaro em clássico

JCNET
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O torcedor do Corinthians Rogério Lemes foi retirado pela Polícia Militar da arquibancada da Arena Corinthians, em Itaquera, anteontem, durante o clássico contra o Palmeiras. Durante a execução do hino nacional, antes de o jogo começar, ele gritou por mais de uma vez "ei, Bolsonaro, vai tomar no cu" e foi abordado pelos policiais.

A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado de São Paulo disse, em nota enviada à imprensa, que "não houve prisão, mas a condução dele ao posto do Juizado Especial Criminal (Jecrim).

"A conduta adotada para preservar a integridade física do torcedor, que proferia palavras contra o presidente da República, o que causou animosidade com outros torcedores, com potencial de gerar tumulto e violência generalizada", disse a nota da SSP. 

Lemes afirmou que agentes do Batalhão de Choque da PM o agrediram. Ele disse que foi levado para uma sala reservada e sofreu chutes e um mata-leão. "Fui humilhado, algemado e um policial me deu um mata-leão. Um pegou o meu dedo e começou a torcer", apontou.

"Eu perguntei para a delegada qual o crime havia cometido, eu apenas expressei meu protesto político. Ela me respondeu que ali [no estádio] não é lugar para isso", afirmou o torcedor. O Estatuto de Defesa do Torcedor veta ao público "entoar cânticos discriminatórios, racistas o xenófobos".

A professora de Escola de Direito do Brasil e doutora em Direito Político e Econômico, Mônica Sapucaia Machado, lembrou que o direito à livre expressão é garantido pela Constituição. "Ele não deveria ter sido detido, nem questionado [pela polícia]. Quem deveria questioná-lo é quem teria sido ofendido. Nesse caso, o presidente, por meio da Advocacia Geral da União", disse. Ela atenta ainda para um "escalonamento desse comportamento estatal" e lembra a abertura da Rio-2016, quando a então presidente Dilma Roussef foi vaiada pelas arquibancadas, mas nada foi feito contra quem a vaiava.