As noites costumam ser mais difíceis para quem enfrenta problemas emocionais. A tristeza e a dificuldade de dormir ampliam a solidão e se tornam um contexto ainda mais arriscado. É o que constata o Centro de Valorização da Vida (CVV), que presta apoio na prevenção do suicídio. Além dos períodos noturnos, os finais de semana também causam a mesma sensação, na avaliação da entidade. Para tentar reverter esse cenário, o órgão lançou, nesta quinta-feira (8), a campanha Setembro Amarelo, que visa reforçar o trabalho de conscientização e ampliar a prevenção com boas práticas.
O evento de apresentação foi realizado no Espaço Café com Política, do JC, e contou com a presença de representantes de diferentes entidades, empresas e autoridades bauruenses.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elegeu 10 de setembro como o Dia Mundial de Combate ao Suicídio. Por isso, há alguns anos, o mês é utilizado pelo CVV para reforçar alertas para a população com diferentes ações em Bauru, como palestras, iluminação de locais com a cor símbolo da campanha, caminhada e pedal (confira a programação no quadro ao lado).
De acordo com a entidade, as empresas e instituições bauruenses são agentes importantes para ampliar a cobertura dessas ações. "Lançamos a campanha com antecedência para que todos já possam se planejar. O Setembro Amarelo contribui para a quebra do tabu que envolve discussões sobre suicídios. Porém, busca ainda a prevenção com o combate a comportamentos que culminam em atentados contra a vida", explica José Carlos dos Santos, voluntário e porta-voz do CVV Bauru.
A campanha também tem o apoio da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes). O titular da pasta, José Carlos Fernandes, reforçou a necessidade das discussões constantes sobre o tema. "A prevenção é muito importante, pois, às vezes, o próprio familiar não tem a consciência do que está acontecendo dentro de casa", diz o secretário.
COMBATE
Para o CVV, um dos desafios da campanha e de outras ações semelhantes é combater diversas formas de preconceitos e fazer com que a sociedade reflita sobre o que leva ao suicídio. "A depressão é uma dessas questões. Também há outras doenças emocionais e mentais. Muitas pessoas sofrem por causa da solidão, da orientação sexual e do bullying, que são vítimas nas empresas e nas escolas. Isso também leva ao suicídio", diz José Carlos dos Santos, do CVV.
VÍDEOS PROMOCIONAIS
No final de junho, o CVV e o Unicef lançaram vídeos promocionais com orientações para a preservação da vida. O foco são os jovens, pais, educadores e sobreviventes. O material tem curadoria de especialistas em saúde mental da USP e da Unicamp. O material é gratuito e está disponível no site www.cvv.org.br.