Genebra - A chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta quinta-feira que as mais recentes sanções unilaterais dos Estados Unidos à Venezuela foram "extremamente amplas", e teme que elas exacerbem significativamente a crise em termos de acesso a alimentos e saúde pelo povo.
Michelle Bachelet expressou preocupações com a possibilidade de as empresas e instituições "desviarem do lado da cautela e interromperem completamente as transações relacionadas ao governo da Venezuela". Uma solução política é necessária, disse ela em um comunicado.
O governo da Venezuela não participará de uma rodada de negociações mediadas pela Noruega nesta quinta e sexta-feiras para protestar contra o novo pacote de sanções norte-americanas, que visam retirar o presidente Nicolás Maduro do poder, disse o Ministério da Informação do país na quarta-feira.
SEM NEGOCIAR
Para o líder opositor Julio Borges, auto-exilado em Bogotá, a reação de Maduro ao deixar a mesa de negociação em Barbados demonstra fragilidade e deixa claro que ele está encurralado.
Borges, 49, foi líder da Assembleia Nacional, de maioria opositora, até ser pressionado pelo regime venezuelano a deixar o país, refugiando-se na Colômbia. Maduro o acusa de ser um dos mentores do suposto atentado contra o ditador no episódio do ataque dos drones, em 4 de agosto de 2018.
"Maduro sabe que, num processo de diálogo cujo objetivo é buscar uma solução política, não importa que decisão ele tome, não tem como ganhar", afirma. "Se aceita ir a eleições, perderá. Caso deixe a mesa [de negociação] em Barbados, como acaba de fazer, perde ainda mais, porque fecha uma porta importante e demonstra ao mundo que não quer uma saída por meio do diálogo."