09 de julho de 2026
Nacional

Paulistas deixam de tomar 600 mil cafés

Laisa Dallagnol
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Que o brasileiro adora um cafezinho todo o mundo sabe. No entanto, a crise econômica parece ter afetado até esse hábito. É isso o que mostra pesquisa da Kantar, consultoria especializada em consumo. Em um estabelecimento popular, um café custa entre R$ 2 e R$ 5, mas não há limite de preço em locais mais sofisticados.

O estudo apontou que, do ano passado para cá, mesmo sem aumento significativo no valor da bebida, aqueles que tinham o costume de consumir o cafezinho fora de casa todos os dias, no país, passou de 22% para 20%.

Só no Estado de São Paulo, a queda foi similar: passou de 27% para 23% a fatia daqueles que consumiam cafezinho na rua, um total de 610.177 xícaras a menos sendo vendidas por dia. Os motivos não são novidade: segundo o levantamento, a diminuição da renda média e o crescimento do endividamento têm feito o brasileiro pisar no freio.

A pesquisa mostrou também que, para economizar, os consumidores têm diminuído as refeições em restaurantes: entre 2018 e 2019, passou de 61% para 58% o total daqueles que tinham o hábito de comer fora. Em São Paulo, aponta o levantamento, os pratos à la carte subiram 8%, enquanto as refeições do tipo "buffet a vontade" tiveram alta de 7%, e o tradicional "prato feito" ficou 3% mais caro.

Isso explica o recuo de 68% para 62% no total de paulistas que não abriam mão de comer na rua, o que representa cerca de 720 mil pratos que deixaram de ser vendidos todos os dias.

É o caso do técnico Gilberto de Souza, 58. Ele agora almoça em restaurantes apenas duas vezes por semana. Nos outros dias, leva marmita para o trabalho de olho nas despesas.

"Estava pesando no meu orçamento, porque o vale-refeição acabava antes do fim do mês, e, aí, precisava tirar do bolso," diz Souza.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de endividamento das famílias no País teve, entre julho e agosto, a sétima alta consecutiva e atinge 64,1% dos lares.