São Paulo - Para cumprir a promessa de campanha de despoluir o Rio Pinheiros até o fim de 2022, o governador João Doria (PSDB) deve mudar o modelo de pagamento às empresas que ganharem licitações e remunerar o cumprimento de metas de limpeza da água. O projeto prevê o loteamento da bacia do rio em 14 áreas e investimento de ao menos R$ 1,5 bilhão só do orçamento da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp).
Segundo o governo, nesse modelo de contrato as empresas devem atingir a meta de 30 miligramas de oxigênio por litro d'água (30 mg/L) para receber todo o pagamento previsto na licitação. Esse é considerado um padrão mínimo de despoluição internacional, embora ainda impróprio para banho ou consumo.
FISCALIZAÇÃO DA LIMPEZA
Vale ressaltar que o plano central da Sabesp é focar na fiscalização da limpeza dos principais afluentes do rio, para diminuir a carga de lixo e esgoto que é levada até o Pinheiros.
A mudança no modelo de pagamento e a decisão de acelerar as licitações apesar das invasões nas áreas de manancial são vendidas pela gestão como principais mudanças para, enfim, alcançar a meta de um plano projetado há mais de 20 anos.
"Vamos esperar até tudo estar resolvido do ponto de vista fundiário? Não", diz o presidente da Sabesp, Benedito Braga.
"O que estamos fazendo é simplesmente uma aceleração dessas obras que têm de ser feitas nas sub bacias", complementa.
PARTE JÁ CAPTADA
Além dos R$ 1,5 bilhão da Sabesp, Doria quer captar até R$ 3 bilhões, principalmente de investidores estrangeiros. Segundo o governador, R$ 70 milhões desse dinheiro adicional já foi captado, através de participação de empresas chinesas.
CONTRAPARTIDAS
As contrapartidas a essas empresas ainda estão em processo de estudo.
A China Railway, por exemplo, tem interesse em explorar o transporte de cargas e passageiros no rio.
Segundo a Sabesp, há ainda empresas interessadas em explorar energia termoelétrica em São Paulo, que seria obtida a partir da queima de lodo retirado do fundo do Pinheiros.