09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Da terra boa brotou Rodolpho

Prof. Joaquim Eliseo Mendes - Membro da ABLetras
| Tempo de leitura: 3 min

Quando o semeador lançou sementes para o plantio, uma parte caiu à beira da estrada, vieram os pássaros e as comeram; outras caíram em terreno pedregoso, duraram pouco e morreram; outras caíram no meio do trigo, nasceu o joio sufocando-as; e, finalmente, outras caíram na terra boa produzindo cento por um (L 8-4-10). E foi daquela semente lançada pelo semeador na terra boa, um lar cheio de amor, onde também nasceu um saudável menino que foi batizado com o nome de Rodolpho Pereira Lima.

Menino bom e arteiro como todos os outros, mas amoroso, sonhador e muito responsável já naqueles tempos. Aos 7 anos começou a frequentar o grupo escolar em Pederneiras em feliz convivência com os seus coleguinhas, gostando da mesma e amando sua professora. O seu lar cheio de amor e aquela sua primeira escola foram a terra boa onde foi lançada a semente que germinaria um grande educador.

Nunca teve o propósito de chegar onde chegou ou de ser o que foi. Não almejou ser um marco na educação, mas tornou-se naturalmente ao longo de sua vida, pelo seu idealismo, abnegado trabalho como professor, assistente, diretor e colega. Sem o pretender tornou-se um ícone, um líder, defensor intransigente do ensino, da educação e da valorização do professor em todos os níveis e esferas. Sempre batalhando em prol dos seus ideais, procurou meios pelos quais poderia lutar. Então, por décadas foi conselheiro do Centro do Professorado Paulista do Estado e o fundador da sede local, responsável da doação pelo Governo Municipal na gestão Oswaldo Sbeghen do terreno onde se localizam a magnífica e completa sede social atual que, por gratidão e homenagem, recebeu o seu nome, e pela "Praça do Professor", que se situa defronte à mesma.

Sua produção literária em prol do professor e da educação pelo então Diário de Bauru, Jornal da Cidade, Jornal do Professor e outros. Sua obra literária em prol da educação e do professor foi doada pela família à biblioteca da ABLetras onde estará preservada e à disposição dos interessados para conhecimento e pesquisas. Foi vereador em duas legislaturas e ocupou por poucos dias o cargo de prefeito quando o então mandatário e seu vice empreenderam viagem ao Japão para a oficialização da cidade gêmea de Bauru. Ocupou uma cadeira da Academia Bauruense de Letras e foi o meu padrinho apresentador à mesma, onde ocupo a de nº 29. Rodolpho, nascido da semente que germinou na terra boa em 22 deste mês deixou-nos, retornando para junto do Semeador.

A publicação desta mensagem tem um tríplice objetivo, o de agradecer ao querido Colega, pelo título de "Cidadão Bauruense" que, por sua indicação, a Câmara Municipal me outorgou em 22 de agosto de 1992; a indicação de meu nome para pertencer à ABLAS e, finalmente, o de externar a minha admiração e respeito por sua luta intransigente pelo ensino, educação e valorização do professor brasileiro. Sua luta não foi armada e nem nas ruas, porém, pela caneta, pelas letras. E saiba, Rodolpho Pereira Lima, a sua partida deixou um vazio muito grande à Família e aos colegas.