O trânsito no país continua caótico e violento, apesar de apresentar lampejos de que possa atingir um patamar mais humano e sustentável, com aprimoramento de medidas já adotadas na legislação, uma fiscalização mais efetiva, além de formação mais adequada para condutores. Dados estatísticos apontam que, ao longo de dez anos, cerca de 1,6 milhão de brasileiros ficaram feridos, imputando ao SUS-Sistema Único de Saúde um custo de R$ 3 bilhões. Neste período, quase 440 mil pessoas perderam a vida.
Estes números constam de estudo apresentado no Fórum de Medicina de Trafego do Conselho Federal de Medicina (CFM), ocorrido em Brasília, em maio último. Segundo a pesquisa, a imprudência tem sido o principal motivo para a ocorrência de acidentes de trânsito. Nestes acidentes, os condutores do sexo masculino são, em sua maioria, homens jovens (80%). Os números ainda indicam que, em 60% dos registros, as vítimas tinham entre 15 e 39 anos de idade, e que em 8% dos casos, tinham entre zero a 14 anos. Apenas 8,4% foram de pessoas com mais de 60 anos.
A expansão exacerbada do uso de motocicletas no Brasil trouxe consigo suas externalidades extremamente negativas. No período de 2007 a 2016, a mortalidade por acidentes subiu 30% na região Norte, 28% na Nordeste e na região Centro-Oeste a alta foi de 7%. Por outro lado, na região Sul as mortes caíram 15%; na Sudeste, com metade da frota nacional, 18%.
De 2009 a 2018, em todo o território nacional, as internações de acidentados no trânsito aumentaram 33%. Em média, os acidentes produziram vinte internações a cada hora, que representaram, apenas para as contas do SUS, um custo de quase R$ 3 bilhões, nestes dez anos, com uma média de R$ 290 milhões/ano. Prevenção é sempre uma saída plausível. Estimam os especialistas que para cada real aplicado com a prevenção no trânsito, gera-se seis reais de economia. Fica claro que os acidentes de trânsito representam um grave problema de saúde pública e como tal precisa ser enfrentado.
Diante de um quadro tão grave como esse, o governo federal acena com medidas para afrouxar a legislação e fiscalização de trânsito. Deve-se aprimorar naquilo que convier, sem perder o rigor e a efetividade.
A hecatombe de hoje poderá tornar-se um morticínio ainda maior para a sociedade brasileira nos próximos anos. Aqueles infratores contumazes se sentirão ainda mais à vontade para praticar loucuras no trânsito, produzindo mortes e sequelas graves em pessoas vítimas de suas imprudências. A falta de sensibilidade de governantes poderá custar ainda muito mais caro à população brasileira, já exaurida pela violência disseminada pelo território brasileiro. Que Deus tenha misericórdia de todos nós.