Brasília - O presidente Jair Bolsonaro classificou nesta quarta-feira (21) como criminosa a série de queimadas pelo país e disse que ONGs (Organizações não Governamentais) de proteção ao meio ambiente podem estar envolvidas nos incêndios ilegais.
Em entrevista, na entrada do Palácio da Alvorada, ele disse que cortou recursos que antes eram repassados para as entidades da sociedade civil e que o objetivo talvez seja prejudicar o seu mandato.
"Pode estar havendo, não estou afirmando, ação criminosa desses 'ongueiros' para exatamente chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos. Vamos fazer o possível e o impossível para conter esse incêndio criminoso", disse.
Bolsonaro afirmou ainda que não está insensível aos ataques e ressaltou que tem havido uma guerra do mundo contra o Brasil por causa da postura adotada pela atual gestão, que tem feito críticas públicas às nações europeias.
"O crime existe. E nós temos de fazer o possível para que esse crime não aumente, mas nós tiramos dinheiros de ONGs. Dos repasses de fora, 40% ia para ONGs. Não tem mais. Acabamos também com o repasse de dinheiro público, de forma que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro", afirmou.
OUTRO LADO
A coordenação do Observatório do Clima, rede que reúne cerca de 50 organizações não governamentais do País em prol de ações contra as mudanças climáticas, reagiu às insinuações.
Em nota à imprensa, a coordenação do Observatório do Clima pontuou que as ações do governo federal contribuíram para o aumento do desmatamento na região e que "o fogo reflete a irresponsabilidade do presidente com o bioma que é patrimônio de todos os brasileiros, com a saúde da população amazônida e com o clima do planeta, cujas alterações alimentam a destruição da floresta e são por ela alimentadas, num círculo vicioso".