09 de julho de 2026
Articulistas

Giuseppe Conte e a crise crônica na Itália

Renata Bueno
| Tempo de leitura: 2 min

Uma tragédia já anunciada aconteceu nesta terça-feira (20): a renúncia do primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte. Há cerca de 10 dias, o seu próprio vice-premiê e ministro do Interior, o político de direita Matteo Salvini, manifestava-se ativamente pela saída do premiê.

Na prática, isso reflete uma divergência natural das eleições: outrora parceiros, sua discordância teve como ápice o discurso de renúncia de Conte, que se referiu diretamente a Salvini, criticando a postura do parlamentar ao buscar o que seria o seu benefício próprio com a questão. Explica-se: hoje, em um cenário de eleições diretas, ele teria preferência dos votos totais, apontam os principais veículos de pesquisa italianos.

Hoje, o cenário é completamente incerto. O presidente da República, Sergio Mattarela - um cargo menos executivo no Parlamentarismo, mas de decisões importantes em tramitações como essa - pode optar por manter um governo técnico sem recorrer às eleições, o que resultaria em um processo menos doloroso econômica, social e politicamente falando. Nessa quarta-feira (21), a partir das 16h, iniciaram as consultas do presidente aos líderes de partido.

Nesse contexto, ele poderá pedir a apreciação de temas urgentes. É o caso do orçamento da Itália, que pede urgência e apresentação até Dezembro. No entanto, diante da pressão do povo, a tendência é que o pleito para um novo primeiro-ministro se torne público, mediante a decisão dos líderes de todos os partidos da Itália.

A instabilidade do governo já tem rendido seus ônus. O aumento de impostos é inevitável e, com consequências negativas, é possível que a omissão dos indecisos - quase sempre o que acaba determinando o resultado final das eleições - novamente seja decisiva neste processo.

No caso de vitória de Salvini, o que pode ocorrer - para garantir governabilidade e poder de decisão - é a aliança do futuro governo com partidos mais à direita. Assim, isso seria uma volta à "velha política", que os partidos vitoriosos à época - A Liga e o Movimento 5 Estrelas - desprezavam em seus discursos durante as eleições.

É preocupante quando analisamos que essa será mais uma troca de chefe de governo, algo tão recorrente nas últimas décadas.

Caso se concretize a vitória da direita, voltarão à tona pautas mais conservadoras, como políticas anti-imigração e contra grupos LGBTQ .