08 de julho de 2026
Nacional

Focos de incêndio da Amazônia criam um impasse internacional


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Brasília - O governo de Jair Bolsonaro (PSL) acusou a pressão crescente a que vem sendo submetido com o avanço das queimadas pelo país e, redobrou o discurso contra os críticos de sua gestão ambiental, escolhendo como principais antagonistas as ONGs e o presidente da França, Emmanuel Macron.

Ecoando uma onda global alimentada pela divulgação das imagens do fogo, Macron publicara horas antes, em redes sociais, um apelo por ações de defesa da Amazônia, afirmando que "nossa casa está queimando". Reproduziu junto ao texto uma foto da floresta em chamas que tem ao menos 15 anos, o que levou o brasileiro a acusá-lo de 'sensacionalista'.

'CRISE INTERNACIONAL'

Macron chegou a classificar as queimadas na Amazônia como "crise internacional" e a exortar seus colegas do G7 (EUA, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália) a debaterem o tema como emergência na cúpula do grupo, neste fim de semana.

Além do francês, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se disse preocupado e afirmou que a Amazônia "precisa ser protegidas".

"A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século 21", reagiu Bolsonaro no Twitter.

"Lamento que o presidente Macron busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais."

ACIRRAMENTO

Os desentendimentos entre os dois líderes se acirraram desde que o brasileiro ameaçou deixar o Acordo de Paris sobre o Clima e o francês reagiu prometendo barrar o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

Mas Bolsonaro, ante as críticas domésticas e externas, também disse que o governo "segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo".

Foi sua quarta manifestação sobre as queimadas somente nesta quinta-feira (22), mais cedo, ele pedira que a população enviasse denúncias de queimadas criminosas para a conta no Twitter do general Augusto Heleno (Segurança Institucional).

As manifestações, entretanto, transcendem as rodas políticas. Protestos diante de embaixadas brasileiras em várias capitais do mundo foram convocadas para esta sexta (23) e domingo (25).