10 de julho de 2026
Internacional

Reino Unido seguirá ligado à zona do euro

FolhaPress
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São Paulo - Cenário cada vez mais provável em 31 de outubro, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem um acordo não deve significar um rompimento total entre as partes.

Como em um relacionamento, a ilha deve continuar profundamente conectada ao continente, tanto por razões comerciais quanto históricas. E não só: o bloco europeu adotará um caminho de reforço de sua identidade, com uma "política de pequenos passos", contrariando previsões de que entrará em colapso.

Para o cientista político Michael Leigh, este é o panorama mais provável a partir do momento em que o resultado do referendo britânico de 2016 seja efetivado.

Leigh trabalhou por quase 30 anos para órgãos da UE até chegar ao cargo de diretor-geral da Comissão Europeia, braço executivo do bloco.

Em conferência na Fundação FHC, em São Paulo, nesta quarta (22), o atual professor de estudos europeus do campus de Bolonha da Universidade Johns Hopkins diz acreditar que o cenário de um brexit duro seja o mais provável. Mas, caso isto de fato aconteça, essa história não terá chegado ao fim. 

"Haverá caos e filas na fronteira, o comércio será bloqueado, mas novas negociações começariam imediatamente. Independentemente do que aconteça, o Reino Unido permanecerá comprometido com a UE no futuro."

Mesmo que o Reino Unido se coloque à parte em relação aos vizinhos do outro lado do Canal da Mancha, os dois lados são inseparáveis há décadas. Isto porque, segundo ele, alguns dos pilares da União Europeia só existem em função da influência britânica e do fato de os países da ilha serem membros do consórcio.

Como exemplo dessa relação histórica, citou a implantação do mercado comum, "um projeto fortemente apoiado por Margaret Thatcher", ex-primeira-ministra do Reino Unido, e negociado "de mãos dadas" com o governo francês antes da fundação do bloco. "Isso foi essencialmente um projeto liberal britânico."