07 de julho de 2026
Ciências

Observatório


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Não culpem os imigrantes pelo sarampo, precisamos assumir quem são os responsáveis! A doença voltou pela ignorância de pais ao acreditarem que vacinas podem fazer mal às crianças. Essa grande mentira deveria ter sido debelada por mobilização social, incluindo vacinação em massa. Chegamos a conseguir o certificado de que o sarampo foi extinto, mas por negligência e ignorância voltou, e não culpem os pobres imigrantes. Serviços de prevenção em rodoviárias, aeroportos e fronteiras são muito eficientes, quando atuantes!

IGNORÂNCIA

No sarampo não dá para culpar mosquitos e sujeiras, pois o contágio é interpessoal. A culpa é do próximo que não se vacinou. Por que não se vacinou?

Inacreditável só ter a ignorância como explicação. O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa e o homem é o único reservatório na natureza. Nem culpar animais e vegetais podemos, e temos que assumir: vacilou-se!

O contágio é por secreções e objetos com o vírus, especialmente as gotículas microscópicas que saem da boca e nariz durante a respiração, tosse e na fala. Elas são conhecidas como gotículas de Pflugge ou Flügge, descritas pelo bacteriologista alemão Carl Flügge quando estudava a transmissão da tuberculose. Elas podem secar nos objetos e permanecerem contagiosas.

Em 8 a 13 dias depois do contato com o "Paramixovirus", pode se iniciar os primeiros sinais e sintomas do sarampo que duram 3 a 5 dias. Estes sinais iniciais são chamados de "prodrômicos" e representam a antessala da doença. São febre de 40-41 graus, conjuntivite, dor de garganta, espirros frequentes, coriza e tosse seca.

O exantema ou vermelhão no sarampo começa da cabeça para baixo, iniciando-se atrás das orelhas, se direcionando da face para o pescoço e o corpo. Os linfonodos inflamam e geram a popular "íngua" e o baço aumenta o seu volume, acentuando os sintomas respiratórios. O sarampo leva ao óbito até 10% dos pacientes, sendo mais grave nas lactantes e adultos. Depois de 4 a 7 dias de doença ativa, o exantema tende a secar e ocorre a descamação cutânea.

OLHEM NA BOCA

O sinal mais inicial do sarampo aparece na boca, especialmente na bochecha, como pequenas manchas brancas, embora possa acontecer no palato mole e lábios. São as manchas de Koplik, descritas em 1898 pelo médico nova-iorquino Henry Koplik (1858-1927) antes do sarampo aparecer na pele.

As manchas de Koplik têm 1 a 3mm e uma base eritematosa ou vermelha na altura dos primeiros molares superiores, perto abertura do ducto parotídeo.

Duram 24 a 48h e representam uma necrose focal do epitélio das glândulas salivares mucosas menores, que forma vesículas cheias de líquido seroso com células de defesa e vírus. Quando começa na pele, as manchas de Koplik desaparecem e a boca volta ao normal.

POR FIM

A volta do sarampo é produto de uma fake-news e mais uma "conquista" da ignorância humana! Reflitamos!