08 de julho de 2026
Geral

30% dos abrigados voltam para casa

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

De todas as crianças acolhidas em abrigos em Bauru, pouco mais de 30%, em média, retornam à sua família de origem. O índice, divulgado pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), vem se mantendo neste patamar ao longo dos últimos anos, segundo informação da própria pasta.

De janeiro de 2018 a julho de 2019, foram acolhidos, por decisão da Justiça, 434 crianças e adolescentes na cidade, sendo que apenas 136 deles, ou 31,3%, retornaram para o lar. Outros 55 foram recebidos pela chamada família extensa, que podem ser avós, tios ou outros parentes.

Para a efetiva adoção por uma nova família, que só ocorre quando não há condições de os pais ou familiares cuidarem dos pequenos, foram encaminhadas 66 crianças. A assistente social Fátima Monari, diretora do Departamento de Proteção Social Especial da Sebes, relata que a maioria dos acolhimentos em abrigos ocorre após a constatação de casos de negligência e abandono por quem tem a guarda da criança.

A negligência é caracterizada pela falta de garantia do acompanhamento de saúde e o desenvolvimento da criança, que fica em situação de risco. Já o abandono é quando a criança permanece sem a supervisão de um adulto, sem alimentação e os cuidados básicos de que necessita.

Quase sempre, segundo Fátima, o uso de drogas aparece como pano de fundo para a configuração familiar disfuncional que leva ao afastamento de crianças do lar. E a dependência química dos pais é, também, um dos principais motivos que leva os pequenos a permanecerem por mais de um ano acolhidos, aguardando a oportunidade de voltar para casa ou ganhar uma nova família.

IDADE

A primeira possibilidade, contudo, só é cogitada quando os responsáveis aderem ao plano de atendimento social e psicológico oferecido pela rede assistencial e de saúde e conseguem se reabilitar. "Infelizmente, esta adesão não é tão frequente quanto gostaríamos", pondera.

De acordo com a assistente social, não há uma prevalência de faixa etária entre as crianças acolhidas, até porque a destituição do pátrio pode ocorrer ainda na maternidade, quando usuárias de drogas dão à luz, com comprovado histórico de abuso de drogas durante toda a gestação e não realização dos devidos exames pré-natais.

"Porém, quando a criança é pequena, ainda conseguimos encaminhar com mais facilidade para a família extensa ou adoção. Quanto maior é a criança, mais dificuldade ela vai enfrentar para conseguir um novo lar. Crianças com deficiência também tendem a permanecer um tempo maior nos serviços de acolhimento", observa.

Das 434 pessoas acolhidas desde janeiro de 2018, 80 ainda permanecem nos abrigos ou fugiram e outras nove completaram a maioridade e precisaram ser desligadas do serviço.

Conforme Fátima, neste ano, houve elevação no número de adolescentes acolhidos, devido a dificuldades no relacionamento familiar e exposição a riscos pelo uso, por estes jovens, de entorpecentes.