Da poeira ao lamaçal. Há 19 anos, o aposentado Cássio Henrique Ferreira, de 55, sofre as consequências da seca e da chuva, afinal, vive em meio à terra, na quadra 3 da rua José Talon, no Jardim Marambá, em Bauru. Antiga, a reivindicação pelo asfalto está longe de ser atendida, porque o município diz não ter dinheiro para executar o serviço. "Somos os esquecidos", reforça o morador.
Ainda segundo Cássio, cerca de 12 quadras do entorno da via enfrentam o mesmo problema. "Quando chove, as ruas ficam esburacadas. Na seca, levanta a poeira, intensificando a minha rinite", explica.
O aposentado relata que os vizinhos ficaram esperançosos na época em que o município executou uma obra para interligar o Camélias ao Sambódromo. "O bairro todo está urbanizado e só sobraram poucas quadras sem asfalto. Pensei que não deixariam passar", acrescenta.
Mesmo assim, nada feito. Então, os moradores decidiram se reunir em um grupo de WhatsApp, do qual também participa o vereador Sérgio Pereira Bum (PSD). Desde o ano anterior, o parlamentar faz a mediação entre os reclamantes e o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD).
Falando nisso, o representante comercial Osmair Crespi, de 63 anos, que mora na quadra 1 da rua José Talon, narra que Gazzetta havia prometido asfaltar aquele trecho em abril deste ano.
O tempo passou e o problema se manteve. "Voltamos a falar com o Serginho Brum, que marcou outra reunião junto ao prefeito. Ele disse que asfaltaria o trecho em agosto e, mais uma vez, não o fez", descreve o representante comercial.
Agora, o vereador agendou mais um encontro para sexta-feira, dia 6. "Não tenho paciência para ouvir histórias. Onde já se viu, o bairro inteiro urbanizado e nós ilhados em meio à terra?", questiona.
E AGORA?
Titular da Secretaria Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues informa que a pasta não tem dinheiro para executar a obra, que consiste na implantação do sistema de drenagem seguida da pavimentação. Só o primeiro serviço custaria, em média, R$ 800 mil.
De acordo com o secretário, o município confia no empréstimo de cerca de R$ 50 milhões, cujo pedido ainda precisa ser apreciado pela Câmara de Vereadores e segue gerando ampla polêmica.
Conforme o JC já noticiou, o montante emprestado seria usado para comprar novas máquinas, além de executar obras de recape asfáltico e outras intervenções envolvendo a estrutura dos distritos industriais.