08 de julho de 2026
Geral

APM visa ampliar transplantes

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Em todo o Estado de São Paulo, o índice de recusa familiar na hora de ceder os órgãos dos pacientes já falecidos chega a 41%. Preocupada com a falta de conscientização, a Associação Paulista de Medicina (APM), em Bauru, decidiu se movimentar para ampliar o número de doadores locais e, consequentemente, o de transplantes. A ideia não poderia ser colocada em prática em um momento mais oportuno: neste mês, celebra-se o Setembro Verde, que visa disseminar a importância de salvar outras vidas.

Presidente da APM Bauru, o médico Marcos Cabello dos Santos pretende reunir os representantes das unidades de saúde públicas e privadas do município já na próxima semana. O intuito é reforçar o trabalho desenvolvido pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), sob responsabilidade do Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu, por meio da formação de uma comissão de apoio.

Ainda de acordo com ele, o órgão botucatuense não atingiu a abrangência ideal. "A coordenadora da Central de Captação de Órgãos do Hospital de Base de Bauru, Paula Dalsoglio Garcia, que é egressa da Faculdade de Medicina de Botucatu, me ajuda nesta empreitada", completa.

MITOS E VERDADES

Com maior visibilidade, o CIHDOTT conseguiria captar mais doadores. "Hoje, ainda impera a falsa ideia de que os corpos serão mutilados, caso haja retirada de órgãos de pacientes já falecidos. Muito pelo contrário, as técnicas modernas os mantém quase intactos para o velório".

Outro mito diz respeito à morte cerebral. Segundo Cabello, muitos familiares das pessoas neste quadro não doa os órgãos, porque teme que tenham chance de sobreviver. "A condição é irreversível e comprovada por dois médicos, bem como exames de protocolo", acrescenta.

COMO DOAR?

Existem dois tipos de doadores: os vivos e os mortos. No primeiro caso, qualquer pessoa saudável e capaz, nos termos da lei, pode ceder um dos rins, parte do fígado ou pulmão e a medula óssea, desde que concorde com o procedimento.

Já os falecidos precisam ter a morte encefálica ou por parada cardíaca comprovada. Além disso, a família deve autorizar a doação de órgãos como fígado, rins, pulmões, pâncreas, coração, intestino delgado e tecidos.

Nestas circunstâncias, o paciente tem de avisar os parentes sobre o desejo de se tornar um doador após a morte. Não é necessário deixar a vontade expressa em documentos ou cartórios.

Os órgãos doados, por sua vez, vão para pacientes que aguardam em uma lista de espera unificada e informatizada, em uma mesma base de dados. Cabe à Central Estadual de Transplantes gerar a relação de receptores compatíveis com o doador.

Caso não haja compatibilidade dentro do Estado, os órgãos seguem para a Central Nacional de Transplantes.