09 de julho de 2026
Nacional

Bolsonaro rebate críticas a escolhido

Eduardo Simões
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quinta-feira (5) a um grupo de simpatizantes ao chegar ao Palácio da Alvorada a indicação do procurador da República Augusto Aras como procurador-geral da República, em substituição a Raquel Dodge e disse que acredita que fez um "bom casamento" com a escolha, anunciada mais cedo.

A decisão de Jair Bolsonaro (PSL) de indicar Augusto Aras para o cargo de procurador-geral da República, anunciada nesta quinta-feira (5), desagradou a grupos de direita e apoiadores do presidente.

A crítica é pelo fato de Aras já ter defendido no passado algumas teses ligadas à esquerda -ele já citou slogan de Lula em entrevista em 2016.

O indicado para a PGR, porém, declara ter perfil conservador e encampou nos últimos meses ideias defendidas por Bolsonaro.

O presidente parou para falar com os simpatizantes e reclamou que sua vida não é fácil, pois está recebendo críticas de pessoas que votaram nele na eleição do ano passado por causa da escolha de Aras e por ter vetado apenas parcialmente o projeto de lei que tipifica o crime de abuso de autoridade (leia abaixo). Eleitores de Bolsonaro defensores da operação Lava Jato defendiam um nome na PGR alinhado com a operação e o veto total ao projeto sobre abuso de autoridade.

"CAIO MAIS CEDO"

"Estou recebendo muita crítica de gente que votou em mim. Se não acredita em mim, e continua fazendo esse trabalho de não acreditar, eu caio mais cedo, e mais cedo o PT volta", disse o presidente.

"Vamos esperar, dar um tempo ao novo procurador. O universo era pequeno e eu tinha que escolher. O pessoal fica radical: 'tem que botar um cara da Lava Jato'. Tudo bem, então é um cara que é radical e quer acabar com a corrupção, mas é um cara que é xiita na questão ambiental. Não posso abrir uma estrada, que ela vai ser contestada", afirmou.

Bolsonaro também disse que não poderia escolher nomes totalmente alinhados à Lava Jato, mas que fossem, por exemplo, adeptos ao que chamou de "ideologia de gênero", contra a família e favoráveis a "patifarias" que, disse ele, têm sido feitas. Ele quebrou a tradição de escolher um nome de uma lista tríplice indicada pela categoria.

"Eu escolhi um que eu posso acreditar nele", disse. "Eu acho que escolhi o melhor, eu acho que estou fazendo um bom casamento. Depende do padre, que é o Senado, aprovar o nome dele", afirmou, lembrando que a indicação de Aras precisa ser aprovada pelo Senado.