08 de julho de 2026
Geral

Um banho de solidariedade e esperança

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Sonho antigo de um casal, a carretinha do "Banho Solidário" leva a possibilidade de uma ducha quentinha a pessoas em condição de rua em Bauru. Ativa há cinco meses, a iniciativa reúne essas pessoas todas as quintas-feiras, por volta das 18h, no pátio da Estação Ferroviária.

Por semana, de 30 a 50 pessoas recebem uma troca de roupa (incluindo cueca e calcinha), calçados, toalha, um kit de higiene pessoal com sabonete, shampoo, condicionador, pasta e escova de dente. Depois do banho quente em cabines privativas feminina e masculina, elas ainda podem cortar os cabelos ou fazer a barba. "No final, damos um lanchinho com suco para eles também", afirma Ana Cláudia Roda, 35 anos, uma das idealizadoras.

Até pouco tempo, apenas 20 duchas eram oferecidas, o que mudou com a parceria com a Ferroviária. "Antes, trazíamos dois tambores com 200 litros de água cada. Mas, agora, com o acesso à água cedida pela Estação Ferroviária, podemos atender todos que precisarem", afirma.

AUTOESTIMA

A carretinha foi fabricada pelo esposo de Ana, Michel Messias Roda, 41 anos, que soube de uma iniciativa parecida em Santa Catarina e quis colocar em prática em Bauru. "Em uma conversa entre amigos, vimos que não queríamos só doar alimentos, mas proporcionar um banho e higiene para que aumentasse a autoestima dessas pessoas", explica.

Para que tudo funcione com tranquilidade, em média, 15 voluntários se disponibilizam a auxiliar nos processos. A carretinha, por sua vez, fica iluminada e ligada a um gerador que aciona o aquecedor a gás e a bomba, que pressuriza e leva a água aos dois chuveiros e à pia, instalada na parte externa.

DIGNIDADE

Acompanhando o projeto desde o início, Márcia Regina Cesário, de 47 anos, destaca que o banho faz toda a diferença na semana. "Moro na casa da minha mãe, mas não temos banho quente. Por isso, faço questão de vir toda quinta-feira aqui. Isso traz dignidade pra gente, aumenta o nosso cuidado com nós mesmos", contou, enquanto escolhia uma peça de roupa para vestir após o banho, na última quinta-feira (5).

Luis Fernando de Almeida Telles, de 24 anos, concorda e salienta que saiu da rua por conta do projeto. "Depois que comecei a me cuidar, ganhei um espaço para dormir em um estabelecimento", conta.

ESPERANÇA

Assim como os dois, Keiko Alcides Marciano, de 50 anos, não perde uma só quinta-feira. "É muito bom ganhar um roupa nova e ainda comer alguma coisa com eles", comenta. Já Kauê Henrique Pereira Simioni, de 23 anos, acabou de conhecer o projeto e aproveitou para cortar o cabelo com um dos voluntários. "Fiquei sabendo porque um pessoal passou falando que aqui tinha como tomar banho. Estou na rua, acabei de sair do CDP, acho que com cabelo cortado fica melhor para conseguir um bico", finaliza.