Após o primeiro dia da greve dos funcionários dos Correios, a empresa anunciou, nesta quarta-feira (11), que os serviços com hora marcada, como o Sedex 10, Sedex 12 e Sedex Hoje, estão com postagens temporariamente suspensas. Já a rede de atendimento, ainda de acordo com a estatal, está aberta em todo o País e os demais serviços continuam sendo postados e entregues.
De acordo com o Sindicato dos Empregados da ECT de Bauru e Região (Sintecteb), responsável por 210 cidades, incluindo Bauru, a adesão dos trabalhadores neste primeiro dia foi de 95% no Centro de Distribuição Doméstica (CDD) da Falcão; de 80% no CDD Bauru; e de 30% no CDD da Rondon, sendo o setor operacional o que mais participa da greve, seguido pelos atendentes comerciais.
Na manhã desta quarta, inclusive, funcionários dos Correios fizeram uma manifestação na agência central de Bauru, em frente à Praça Dom Pedro II.
IMPACTOS
"A paralisação traz, sem dúvidas, impactos operacionais. Esse é, inclusive, o objetivo: mostrar à diretoria quem faz a empresa girar e quem produz os recursos. Se é a força do trabalhador, por que ele merece retirada de direitos? Com isso, o contingente de carteiros na rua diminui e nos centros de distribuição a triagem também é feita mais lentamente", afirma a assessoria de comunicação do Sintecteb, que é vinculado à Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect).
Em nota, os Correios pontuam que já está em prática o Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. "Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas", diz o texto.
Ação de dissídio coletivo
Os Correios entraram, na tarde desta quarta-feira, com uma ação de dissídio coletivo junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).Em nota,a empresa afirma que esta é uma solução para que não se comprometa, ainda mais, a situação financeira da instituição. "Os Correios estão executando um plano de saneamento financeiro para garantir sua competitividade e sustentabilidade. Desde o início de julho, a empresa participa de reuniões com os representantes dos empregados, nas quais foram apresentadas a real situação econômica da estatal e propostas para o acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado, atualmente na ordem de R$ 3 bilhões", informa.
Por volta das 20h, o Sintecteb afirmou que ainda não era possível se posicionar à respeito do pedido de dissídio.
Em seu site oficial, o sindicato pontua, conforme o JC divulgou, alguns dos direitos que, segundo a categoria, teriam sido retirados pela empresa na proposta final e repudia o reajuste nos salários e benefícios de 0,80%, "menos de um terço da inflação".