08 de julho de 2026
Geral

Corte no CNPq põe 181 bolsas sob risco

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Desde março desenvolvendo pesquisas sobre como facilitar a absorção de medicamentos que já existem no mercado, a mestranda Carolina Torquetti, 24 anos, não sabe se conseguirá concluir os estudos. Ela é um dos 181 pesquisadores vinculados a universidades de Bauru que dependem de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão que teve seu orçamento reduzido em 2019.

Na terça-feira (10), o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), pasta à qual o CNPq é vinculado, anunciou o aporte de R$ 82 milhões, o que deve garantir o pagamento das bolsas relativas a setembro em todo o País. Porém, para que nenhum pesquisador fique sem o financiamento até o fim do ano, serão necessários mais R$ 248 milhões - o que ainda não foi assegurado pelo governo federal.

Por isso, apesar do fôlego momentâneo, a apreensão nas instituições de ensino permanece. "Se houver alguma restrição na verba para os alunos que recebem as bolsas, há um problema importante, porque eles dependem em parte ou integralmente deste recurso. E, especificamente quanto à pós-graduação, as bolsas estão fortemente vinculadas ao desenvolvimento de pesquisas", observa a professora Izabel Regina Fischer Rubira de Bullen, presidente da Comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP.

Somente o câmpus local da USP contabiliza 61 pesquisadores de graduação, mestrado e doutorado financiados pelo CNPq. Na Unesp, são mais 89; na Unisagrado, outros 30; e na Unip, há um projeto de pesquisa sob financiamento.

BLOQUEADAS

Professor da Unesp, Milton Vieira do Prado Junior revela que o corte do orçamento federal já é sentido dentro da universidade, visto que bolsas que deveriam ter se tornado disponíveis recentemente - como, por exemplo, em razão do término do curso de um aluno bolsista - estão sendo bloqueadas. Ou seja, alunos que aguardavam a liberação destas vagas não poderão ser indicados. É algo que ocorre, também, dentro da USP.

"São alunos com boa pontuação no currículo. Mas, infelizmente, não há qualquer garantia de que estas bolsas vão ser liberadas novamente. E isso, em muitos casos, vai inviabilizar a permanência de estudantes, principalmente os que são de outras cidades e Estados", pontua.

Carolina Torquetti vive a mesma angústia, porque depende exclusivamente dos R$ 1,5 mil da bolsa de mestrado que recebe do CNPq para viver em Bauru, já que, pelas regras do financiamento, é vedado ao estudante ter outra atividade remunerada.

Diante do risco de perder o recurso, a aluna confessa que já começou a entregar currículos para, se necessário, dar aulas de química. "Por enquanto, não apareceu nenhuma oportunidade e minha família não tem condições de me sustentar. Então, se houver o corte e nada der certo, a única saída será parar o mestrado."