O tempo de espera por vagas de internação hospitalar, em Bauru, deverá diminuir. Intermediadas, hoje, por um médico da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), as transferências passarão a ser feitas através de uma espécie de "busca direta" das unidades de urgência e de pronto atendimento (PS Central, PAI e UPAs) nos chamados hospitais de referência. Na última quinta-feira (12), o gerente médico do órgão regulador, Domingos Guilherme Nápoli, detalhou a nova medida enquanto participava do 2.º Simpósio de Serviço Social das Unidades Famesp, realizado no Hospital Estadual de Bauru (HEB) (leia mais ao lado).
Desde 2013, a Cross gerencia todas as vagas de internação hospitalar do município e na região. A instituição surgiu com o intuito de padronizá-las junto ao restante do Estado.
Hoje, os pacientes dão entrada em qualquer unidade de urgência e de pronto atendimento e, se requererem tratamento específico, vão para o sistema da Cross. Os casos passam por análise do médico regulador, que os direciona aos hospitais de referência mais próximos.
Segundo Domingos, tal intermediação total prejudica a agilidade das transferências. Por isso, o órgão só deverá interceder em situações de negativa por parte dos hospitais. "Bauru não será a primeira cidade a receber a medida, que teve início em Araraquara e se estendeu por vários municípios do Estado", acrescenta.
Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Estado esclarece que também dialoga com as cidades da região para uma regulação local.
DESCENTRALIZAÇÃO
O novo método permite a descentralização e a ampliação do uso do sistema da Cross pelas unidades de urgência e de pronto atendimento (PS Central, PAI e UPAs), conforme a necessidade de cada ocorrência. Com isso, o médico regulador da central só entra em cena em caso de a unidade não conseguir a vaga.
Domingos exemplifica a nova sistemática. "Um paciente está na UPA, mas precisa de um hospital de referência. Então, a própria unidade de urgência solicitará a vaga de internação, via Cross, em vez de mandar para o órgão e esperar pelo retorno. Só se houver negativa, por falta de leito ou qualquer outro problema, nós intercederemos. Mas dá para resolver, rapidamente, 80% dos casos".
Ainda de acordo com o médico, a expectativa é de que o procedimento tenha início a partir do dia 30 de setembro deste ano. A assessoria da Secretaria de Saúde, contudo, aponta ainda não haver uma data específica.
'VAGA ZERO'
Quando nenhum hospital de referência tem condições de receber determinado paciente e o quadro é grave, a Cross cria a "vaga zero", que consiste na ordem para a internação imediata, independentemente da disponibilidade de leitos nas unidades de média e alta complexidade.
O gerente médico do órgão critica a medida, mas a considera necessária. "É abominável, porque você desestrutura o hospital. Por outro lado, o regulador precisa garantir assistência ao paciente grave", justifica.
Para ele, a viabilidade de leitos corresponde a uma tarefa tripartite do município, Estado e União. "É inconcebível que casos de média complexidade, que deveriam ser atendidos pelos municípios, sejam encaminhados aos hospitais de alta complexidade, causando superlotação", critica.
Mesmo diante de todas as dificuldades, Domingos exalta o SUS, porque busca a atenção total aos pacientes. Porém, ele defende a necessidade de algumas alterações estruturais, como a questão da gratuidade universal. "Ser gratuito é interessante, mas há abusos. Muita gente tem condições e o utiliza", conclui.