Dois amistosos depois do título da Copa América e o futebol apresentado pela Seleção Brasileira volta a ser visto com desconfiança e é novamente alvo de críticas. Aliás, o título continental nem mesmo tirou várias ressalvas ao que é produzido pelo time comandado pelo técnico Tite. O mérito na Copa América foi evoluir ao longo dos jogos, achar um caminho para cumprir a obrigação imposta, depois de cair na Copa do Mundo da Rússia, de levantar o caneco em casa. Missão cumprida e final, de fato, de um ciclo. Sim, porque Tite, pressionado a ficar com o título em casa, foi conservador nas convocações anteriores à Copa América e manteve um núcleo experiente, boa parte dele que jogou o Mundial, para disputar o torneio em terras nacionais. Foi uma decisão coerente e sábia. Mas que impõe um pequeno atraso no início da obrigatória renovação que a Seleção precisa efetuar já pensando na Copa do Catar, em 2022. Agora, sim, iniciou o novo ciclo. E o que vai valer mesmo é a partir de março, quando começam as Eliminatórias e o Brasil vai precisar apresentar mais para se garantir, de preferência, entre os quatro primeiros e carimbar o passaporte diretamente para a Copa no Oriente Médio.
Nada animador
O começo do novo ciclo foi desapontador. Duas partidas em que o time brasileiro foi sonolento e teve lampejos nas segundas etapas. Contra a Colômbia foi buscar o empate em jogo que marcou retorno de Neymar, visivelmente fora de ritmo, após três meses parado. Diante do Peru, pior, acabou derrotado, apesar de jogar melhor no segundo tempo. Tite usou 19 dos 23 convocados, mas alguns jogaram poucos minutos e nem foi possível avaliá-los devidamente. O saldo é que Alex Sandro se mostrou bem perdido; e Jorge, outro lateral-esquerdo, curiosamente, não jogou; Fagner não atuou bem; Ederson finalmente teve uma chance e… falhou; Phillipe Coutinho continua muito abaixo do esperado; David Neres ainda não se encontrou na Seleção; Firmino foi discreto; Fabinho pouco mostrou. Vinicius Junior mal atuou (difícil de entender o motivo, já que era momento de testar); o mesmo vale para Bruno Henrique; salvou-se Richarlison, muito pelo empenho e interesse. E Allan deixou boa impressão. É certo que Tite está recomeçando um trabalho, mexendo taticamente no time, mudando jogadores de posição, trazendo novos nomes para o selecionado, observando, e é compreensível o desentrosamento e desorganização que foram vistos em boa parte dos amistosos. Nem é pelos resultados, afinal, amistosos são para testar, buscar alternativas e, teoricamente, não deveria ter peso o placar dos jogos, mas as duas partidas insinuam que a tarefa pode ser árdua.
Contagem regressiva
O Brasi faz mais quatro amistosos em 2019. Em uma contagem regressiva para quando os confrontos realmente vão valer. De setembro a março, é preciso reorganizar taticamente o "novo time" com diferentes peças, já que medalhões não terão mais idade para um Mundial - e já não foram convocados -, exceção talvez de Daniel Alves, que mostra vitalidade que faz pensar se não estará em campo no Catar. Neste período, Neymar, o principal jogador de Tite e do qual não abrirá mão, terá que retornar a ser isso mesmo, a referência da Seleção. E, de preferência, uma influência positiva para os jovens que ganham espaço no time. Neymar vai enfrentar a fúria e rejeição de sua própria torcida no Paris Saint-Germain e precisa mostrar que quer continuar a jogar futebol e realmente é um dos melhores do mundo. É necessário continuar a dar espaço para a molecada que pede passagem, insistir com as novidades que já vêm sendo chamadas. Além disso, mesclar com veteranos como Alisson, Daniel Alves, Marquinhos e Neymar, que devem conduzir este novo Brasil. Tenho para mim que o time só vai se ajustar mesmo ao longo das Eliminatórias. Mas é preciso agilizar a transição, buscar a rápida evolução. Um pouco de ousadia nos próximos amistosos é fundamental.