09 de julho de 2026
Nacional

Ataque a sauditas é espécie de 11/9 do mercado de petróleo com alta de 20%, avalia diretor-geral da ANP

Por Luciano Costa | Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Ataques a instalações de petróleo na Arábia Saudita durante o fim de semana que levaram os preços da commodity a dispararem nesta segunda-feira (16) podem ser considerados "uma espécie de 11 de setembro do mercado do petróleo", disse o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone.

Os sauditas viram mais da metade de sua capacidade de produção ser suspensa após os ataques, o que fez as cotações do petróleo chegarem a saltar quase 20% nesta segunda-feira. Os preços subiam por volta de 12% no início da tarde (horário de Brasília), após os Estados Unidos afirmarem que podem liberar reservas estratégicas para aliviar impactos na indústria.

"Do ponto de vista do risco, esse evento de sábado pode ser considerado uma espécie de 11/9 (ataque às torres gêmeas) do mercado do petróleo. Depois dele a sensação de risco aumentará", escreveu Oddone no Twitter nesta segunda-feira.

O diretor-geral da ANP ainda republicou reportagem da imprensa segundo a qual o Brasil e o Rio de Janeiro "podem ganhar" com os impactos do ataque aos sauditas. Ele não elaborou.

ATAQUES E ALTA

O preço do petróleo disparou nos mercados globais neste domingo (15) em reação aos ataques de drones a petrolíferas na Arábia Saudita no sábado (14), que podem levar a uma redução de metade da produção diária de petróleo saudita.

O barril do petróleo Brent chegou a um pico de US$ 70,98 no mercado futuro, um aumento de 18% em relação ao fechamento de sexta-feira (13), mas depois recuou, registrando alta de 12%.

Os ataques provocaram incêndios em Abqaiq, maior instalação de processamento de petróleo no mundo, e em Khurais. Houve uma redução estimada de 5,7 milhões de barris por dia na produção, o equivalente a 6% do abastecimento mundial.

O presidente da estatal saudita Aramco, Amin Naser, declarou que estão sendo realizadas "obras" para restabelecer a produção de petróleo bruto do país. O ministro da Energia, o príncipe Abdulaziz bin Salman, afirmou que a redução será compensada com as reservas.

Uma disparada no preço do petróleo pode afetar a economia mundial, já abalada pela guerra comercial entre EUA e China e as sanções da Casa Branca contra o Irã.

Em uma rede social, o presidente Donald Trump afirmou que autorizou o uso de petróleo da Reserva Estratégica dos EUA, em quantidade a ser determinada.

Mais tarde, ele escreveu: "Acreditamos saber quem é o culpado (pelos ataques)", acrescentando que os EUA "estão prontos para reagir, dependendo da confirmação."

O presidente evitou mencionar o Irã, mas na véspera o secretário de Estado, Mike Pompeo, acusou diretamente o país persa.