O vento forte em alto mar,
murmúrios lamentos sofrimentos.
Gritos sufocados em porões dos
horrores. Mulheres choram sem po-
der ser ouvidas, ausências de filhos
que lhe tomaram a força.
Seus seios cheios de leite a dor do
ninho vazio. Açoites e humilhações,
a quem não aguenta é se joga ao
mar. Prisioneiros de homens cruéis.
A quem foi imputado o poder de
decidir, quais os critérios que o
fez acharem no direito de tamanha
barbárie?
Quem seria o insano que deu lhe tal
posição? Navios negreiros, umas
vozes que não querem calar, na me
mória de um povo que ainda grita
por liberdade. Liberdade, oh
liberdade! Que ouçam as vozes dos
negros, das mulheres, crianças.
Assalariados e dos sem salários,
dos brasileiros não elitizados. Dos
professores e educadores. Somos
um povo semiescravo, de um sis-
tema desvalido de valores, gover-
nado por homens amantes de
si mesmos.