09 de julho de 2026
Geral

Vivendo em 1 cômodo, família perde Bolsa

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

São seis pessoas vivendo em um único cômodo, onde mal é possível circular. No espaço diminuto, feito com compensado de madeira fincado no chão batido, a família Santos se aperta para dar lugar a dois colchões, a geladeira, o fogão e um pequeno armário.

Como se já não bastasse, a situação difícil enfrentada por Marisa Lemes dos Santos, 36 anos, e seus cinco filhos foi ainda mais agravada, após o bloqueio do benefício de R$ 446,00, oriundo do Bolsa Família.

A única fonte de renda para Marisa e as crianças foi cortada temporariamente porque os filhos mais velhos, de 12, 11, 9 e 7 anos, ficaram duas semanas sem ir à escola. Segundo a mãe, faxineira desempregada, as faltas ocorreram durante o período de transferência da família do acampamento Nova Canaã para a região do Parque Primavera, em junho deste ano. Ao todo, conforme o JC divulgou, foram removidas 195 famílias do local, após intervenção da prefeitura.

Segundo Cristiana dos Santos, 37 anos, uma das líderes do grupo de moradores, ao menos mais uma família também ficou sem o benefício em setembro. Marisa explica que os filhos deixaram de ir às aulas, em junho, porque ficaram sem transporte para a escola antiga, no Jardim América.

"A gente esperava que eles fossem ficar nessa escola até terminar o ano, mas foram transferidos para outra, no Fortunato, mais próxima do Parque Primavera. Só que eu não fiquei sabendo. Por isso, eles perderam uma semana de aula lá no Jardim América, pela falta de transporte, e outra aqui", comenta.

TEMPORÁRIO

É uma das condicionalidades do Bolsa Família a frequência escolar mensal de ao menos 85% para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos de idade e de 75% para jovens de 16 e 17 anos. Coordenadora do programa federal em Bauru e do Cadastro Único, a assistente social Priscila Pitta explica, contudo, que o bloqueio é uma condição temporária e que, se não houver reincidência, o benefício volta a ser liberado no mês seguinte.

"Na primeira vez em que ocorre o descumprimento, o beneficiário recebe uma advertência no extrato de recebimento, o que, certamente, ocorreu com esta família. Somente na reincidência é feito o bloqueio por 30 dias. Na terceira vez, ocorre a suspensão por 60 dias e, diante da persistência, é feito o cancelamento", descreve.

Somente em setembro, 171 benefícios ficaram bloqueados em Bauru pelo não cumprimento, entre junho e julho, das condicionalidades nas áreas da saúde, assistência social ou educação. Atualmente, 10.876 famílias recebem recursos do Bolsa na cidade.