09 de julho de 2026
Geral

Bauru enfrenta clima de deserto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Queda drástica da umidade relativa do ar, ausência de chuvas, calor recorde, escassez de água para abastecimento e qualidade do ar prejudicada por queimadas. As condições extremas do tempo em Bauru, nos últimos dias, têm castigado os moradores da cidade, com sobrecarga no organismo em inúmeras vertentes, que são sinônimos de riscos à saúde.

Nesta quarta-feira (18), a população enfrentou mais um dia de "clima desértico", com novo recorde de temperatura, de 38,1 graus, a maior para meses de setembro dos últimos 31 anos. Além disso, a umidade relativa do ar chegou a 13%, estado considerado de alerta e no limite para a classificação de estado de emergência.

Também nesta quarta, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTec/Inpe) emitiu alerta meteorológico de atenção para várias regiões do País, incluindo a de Bauru. "As condições do tempo são, de fato, parecidas com a do deserto. A diferença é que, lá, isso é uma constante e, aqui, é uma situação eventual", pontua o meteorologista Bruno Miranda.

Segundo ele, a possibilidade de trégua é prevista para sexta ou sábado, quando pode chover e haver registro de temperaturas menos severas devido à passagem de uma frente fria pelo litoral.

REAÇÕES

Estas condições extremas podem desencadear uma série de reações no organismo humano, que vão desde tonturas e desmaios até complicações mais sérias, quando a exposição é prolongada. Segundo Sandra Lia do Amaral Cardoso, professora do Departamento de Educação Física da Unesp especializada em fisiologia cardiovascular, o calor excessivo provoca diminuição da pressão arterial, que pode ser perigosa principalmente para quem já tem doenças cardíacas.

"Além disso, a baixa umidade relativa do ar faz com que as pessoas se desidratem com maior facilidade. E a consequência principal é a perda de eletrólitos, que determina a maior ocorrência de arritmias cardíacas", detalha. Já o excesso de partículas poluentes no ar favorece o surgimento de doenças respiratórias e alérgicas.