08 de julho de 2026
Geral

Augusto: '21 se arrependeram da CPI'

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Durante simpósio realizado neste sábado (21) com o objetivo de preparar policiais militares pré-candidatos para a disputa das eleições municipais de 2020, o deputado federal Capitão Augusto (PL) revelou que não descarta recorrer à Justiça para tentar evitar abertura de CPI para investigar supostas ilegalidades nas mensagens trocadas entre o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro e procuradores da Lava Jato.

Na semana passada, grupo de oposição ao governo protocolou na Câmara dos Deputados pedido de CPI contendo 175 assinaturas - quatro a mais do que o mínimo exigido. "Foi uma bobeada do governo, que acabou não se mobilizando para que não tivesse o número suficiente de assinaturas", afirma o deputado. "Mas nós conseguimos fazer com que 21 se arrependessem".

Como o Regimento da Casa não permite a retirada de assinaturas, Capitão Augusto fará um 'apelo moral' ao presidente Rodrigo Maia (DEM). "A CPI é instalada por anuência do presidente da Casa. Ele não precisa instalar. E ele sabe que não há 171 deputados interessados na CPI. Se não tiver jeito, nós vamos judicializar. Nós vamos para o Tribunal (Supremo Tribunal Federal) pedir que seja reconhecida a retirada das assinaturas".

'AUSÊNCIA'

O parlamentar também criticou a "ausência" do governo nas discussões do grupo de trabalho do pacote anticrime de Sergio Moro. O relatório seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser votado em plenário. "Eu sou amigo pessoal do Bolsonaro, participei da campanha desde o início e nossa bandeira sempre foi o combate à corrupção e à violência", afirma.

"Agora que estamos com esse pacote, que é justamente nossa promessa de campanha, eu, de certa forma, aguardava um engajamento no mínimo igual ao que foi feito para a reforma da Previdência por parte do governo, que são os ministros, líderes de governo, deputados, senadores. E, infelizmente, nesses 120 dias de grupo de trabalho, eu senti uma ausência".

DE OLHO EM 2020

O 1.º Simpósio Estadual dos Pré-candidatos Policiais Militares para Eleições Municipais reuniu dezenas de participantes de São Paulo e do Paraná na Casa do Médico, em Bauru. "Nossa intenção, enquanto entidade, e de aproximar a classe política da classe médica", salientou Marcos Cabello dos Santos, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) em Bauru.

Capitão Augusto, organizador do evento, conta que, desde 2012, desenvolve um trabalho de conscientização política dentro da Polícia Militar (PM). "Nós começamos a ter um engajamento maior até porque a gente tem muito para contribuir com a sociedade, em especial na área da segurança pública", declara.

"Nas eleições municipais passadas, nós fizemos o mesmo trabalho e conseguimos eleger 113 policiais militares vereadores, vice-prefeitos e prefeitos. Agora, a um ano das eleições, a gente reinicia o trabalho. Esses policiais militares, que são pré-candidatos, recebem orientações iniciais de como é uma campanha, quais são os direitos, o que ele pode fazer na pré-campanha e o que não pode". Para 2020, o deputado estima que o número de PMs eleitos no Estado varie entre 220 e 250.

O PM da reserva Paulo Henrique Goes veio de Pirajuí para o simpósio. Ele diz está analisando propostas de filiação partidária para disputar uma cadeira na Câmara Municipal. "Até um tempo atrás, a gente ficava afastado da política. E, cada vez mais, essa participação dos policiais vem aumentando. Por isso, essa orientação é muito importante".