Em meio ao clima semiárido, às paisagens da caatinga e sobre os solos secos, um grupo de 30 turistas se lançou no trajeto do maior rali das Américas, na Expedição dos Sertões. Dentre eles, o médico bauruense Claudio Gabriele, 48 anos, e o filho Enrico Franco Gabriele, 13, que voltaram para casa trazendo a poeira do sertão nos pés e as histórias dessa região do País na memória.
"Foi uma experiência gratificante. Conhecemos um Brasil diferente, ficamos por dias desconectados - o que para um adolescente, mesmo sendo um pouco ruim, é uma vivência muito boa. Também conhecermos pessoas com histórias surpreendentes e ajudamos essas comunidades", afirma Gabriele.
A convite do organizador do evento, de 7 a 14 de setembro, Gabriele e o filho partiram de Fortaleza (CE) rumo a Catalão (GO), num percurso de 3,5 mil quilômetros, passando pelos caminhos mais desafiadores do roteiro Sertões. A proposta é o sistema "seat and drive" em que o turista dirige um dos carros oficiais do Sertões, as Mitsubishi L200 2019, e pode levantar poeira como os pilotos profissionais em completa segurança. "Éramos em 15 caminhonetes, com duas pessoas em cada uma, acompanhadas de três carros de apoio com seis especialistas", comenta o médico.
Ele e o filho já tinham participado de uma expedição Sertões em 2014, mas, neste ano, a vivência foi ainda mais especial. Enrico destaca que aproveitou muito os momentos desconectado. "Tivemos muito mais aventura e conhecemos lugares muito legais que eu não conheceria se não fosse por essa viagem. Valeu à pena, eu gostei muito", diz.
MEMÓRIAS
Passando pela Serra da Capivara, interior do estado do Piauí, o grupo teve a oportunidade de conhecer as pinturas rupestres consideradas como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, em 1991. Outros pontos altos da viagem foram a passagem pelo Jalapão, no Tocantins e pela Pedra do Chapéu do Sol, em Goiás.
Mas nem só de turismo e aventura foi feito o trajeto. Pelo caminho, a expedição também doou alimentos para as comunidades por onde passaram. "Estivemos em muitos vilarejos. Em um deles, marcou muito uma casa em que moravam só duas mulheres e uma criança. Perguntei porque elas permaneciam ali e elas responderam que não deixariam o local por conta da igreja que tomam conta", relata. "Em outro, um senhor contou que caçavam para ter a mistura em casa, comiam carne de tatu", lembra.
E, apesar das dificuldades, como dois carros que fundiram por conta da areia densa e as longas horas de estrada sem parada, os parceiros de viagem pretendem voltar. "Já estamos esperando pela expedição do ano que vem", finaliza.