08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Setembro Amarelo

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Até aqui, venho tentando tudo o que me foi proposto pelos meus próprios atos e pelos atos que a mim foram impostos d'alguma forma - por coincidência, destino e colocaria também a vontade de Deus. Venho tentando me manter sóbrio. Sóbrio no sentido de ser coerente, fazendo as coisas de modo pensado, não apenas me deixar ser levado, ver onde vou chegar.

Tenho tentado ser mais racional e menos instintivo, não fugir dos problemas, colocando-os em uma gaveta para ficarem ali, em stand by, como se diz, à espera que se resolvam por si mesmos. Mas na verdade, sei que eles estão ali. E a maioria não terá prazo de validade.

Sigo tentando motivação, sigo tentando não ser pessimista com relação à vida, sigo tentando não viver de paixões inventadas platonicamente, sigo tentando aproveitar ou fazer uma reserva dos momentos de felicidade reais para me suprir destes momentos, quando esta vier a faltar.

Medo? Bem, este anda meio afastado, e já seria uma grande coisa não ter que conviver com ele, que costumava chegar sem avisos prévios. Hoje, este sentimento tem sido mais discreto, mais natural, normal, melhor dizer, com os tratamentos indicados. Porém, somos o que somos e não mudamos muito da "planta original". Se por um lado evoluímos, por outro temos a curva do envelhecimento, que o nome dispensa mais explicações.

Mas se a vida não apresenta muitas diferenciações, digo, novidades, se analisada pelo meu ou seu perfil psicológico e físico, mesmo levando em conta atos extremos ocasionados pela dificuldade em ficar bem, devido aos males das desconexões neuronais e outros desarranjos psicoemocionais, mas ainda há que se levar em consideração que a vida é boa de se viver, sob quaisquer aspectos.

Se você não está bem hoje, valerá o esforço para ficar bem, procurar motivos, procurar respostas e não entregar os pontos, procurar ajuda e se ajudar. A vida merece qualquer esforço. Ficando bem visível que se ela não se fizer por inteiro do modo natural (começo meio e fim), você estará cortando alguma espécie de elo, talvez, assim, perdendo o fio da meada, ficando a mercê do nada, no tempo e no espaço, considero.

Portanto, estejamos sempre dispostos a ajudar quem pede ajuda e mesmo aqueles que não pedem, porque as pessoas sempre dão alguns tipos de sinais fáceis de serem reconhecidos. A gente sabe quando alguém está infeliz ou desesperado, é só olharmos mais as pessoas ao nosso lado, estender a mão.

Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio, uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria.