Foi publicado em 16/12/2018, na Tribuna do Leitor do JC, o texto de minha autoria "Escola sem partido - Os fatos", onde comentei sobre a doutrinação de esquerda nas escolas, e propus formas de controle para se evitar que isto ocorra. A seguir, encaminho "mais" comentários a respeito, tendo em vista questões polêmicas envolvidas, como liberdade de ensino do professor, direito do aluno ao aprendizado, vivência democrática, falhas humanas e falhas estruturais dos sistemas capitalista e socialista.
No mundo democrático e sujeito a leis, faz tempo que a "liberdade total" não existe. Não existe para o professor ao ensinar, para o policial ao reprimir, nem para a rainha da Inglaterra, que tem que obedecer a um sistema de leis e dar satisfação de suas ações, tendo em vista a "monarquia constitucional", que instituiu suas funções pelo parlamento inglês, em 1689. Isto ocorreu nos países que optaram viver segundo leis democráticas, onde se estabeleceram regras de convivência que levam em conta desejos do conjunto da sociedade, e não de apenas um grupo de pessoas que se julgam iluminadas. Assim, essas liberdades são restritas mesmo e estão limitadas pelas leis, e uma delas é respeitar os contratos que assinamos ao aceitar um emprego para desempenhar uma determinada função como, por exemplo, a de "professor". Entretanto, existe uma liberdade que defendo, e esta não está limitada pelas leis ou pela lógica, sendo ela a base da verdadeira democracia. É a "liberdade" que o aluno deve ter em poder escolher seu caminho e, para isso, é um direito dele ter conhecimento amplo do que realmente acontece no mundo, com todas alternativas possíveis e sem nenhum viés ideológico.
Sobre o "controle" proposto com objetivo de estabelecer um material didático isento de viés ideológico, ele vai justamente no sentido de que o professor passe a cumprir sua função para o qual foi contratado. No caso das disciplinas com interface social, transmitir aos alunos as várias correntes de pensamento existentes em nosso mundo real como, por exemplo, as virtudes e defeitos de todos os sistemas sociais e econômicos - com destaque ao capitalismo e socialismo -, de modo imparcial e não omitir ou distorcer informações de um sistema para favorecer outro. Isto é necessário, pois, caso contrário, o aluno estaria sendo induzido a fazer uma escolha equivocada, e o docente atuando mais como um "militante" de uma ideologia política do que como um "professor" de verdade, desvirtuando totalmente sua função.
Com relação aos problemas que podem ocorrer numa sociedade, se nas análises levarmos em conta as fraquezas humanas, nenhum sistema (por exemplo, capitalista ou socialista) seria perfeito, uma vez que as pessoas não são perfeitas. Assim, é necessário distinguir o que é falha estritamente humana - que pode ocorrer em qualquer sistema -, da falha estrutural do sistema em si (capitalista ou socialista). Por exemplo: é comum a esquerda afirmar que a liberdade no capitalismo propicia patrões gananciosos a explorar os empregados.
Mas em países como o Brasil, a liberdade não é plena, pois o capitalismo é um sistema associado à República, onde existem leis que todos devem seguir. Neles há também instituições independentes - como o Ministério Público (MP) - atentas às falhas humanas, onde qualquer pessoa que descumprir a lei, pode ser processada. Se o MP não cumprir esta sua função, teríamos outra falha humana de quem deixou de exercê-la, não caracterizando numa falha do capitalismo, uma vez que o sistema previa este corretivo.
Falhas humanas podem também ocorrer no socialismo, e até com mais frequência e gravidade, pois este sistema não tem nada parecido com o MP que acompanha o capitalismo. Esta ausência de um MP independente seria também uma falha estrutural do próprio sistema socialista, pois dá um poder excessivo à cúpula mandante - com liberdade incrível para fazer o que quiser -, aumentando muito a possibilidade de ocorrer mais falhas humanas de toda ordem.