O material de apoio do 3.º bimestre da rede estadual de Ensino foi devolvido ao alunos do 8.º ano de Bauru e região. O governador do Estado, João Doria (PSDB), havia decidido retirar as cartilhas das salas no último dia 3, porque a apostila, segundo entendimento inicial, continha conteúdo inapropriado relacionado à sexualidade e gênero.
Depois de o material ser guardado nas diretorias de ensino, entidades, como o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), entraram com um pedido no Ministério Público solicitando a devolução do material. "Entendemos que era um absurdo os alunos ficarem sem o material de apoio que comprometeria todas as matérias. Além do motivo pelo qual foi retirado, que não vemos da mesma forma que o governador", afirma Suzi da Silva, diretora estadual da Apeoesp.
Em coletiva, na tarde do último dia 13, o governador afirmou que o entendimento do governo foi não apelar da decisão e optar pelo diálogo para que as cartilhas fossem recolocadas nas escolas com um encarte explicativo (leia mais ao lado). Doria disse, ainda, que o governo de São Paulo respeita igualdade e diversidade.
APOSTILA
A apostila explica os conceitos de sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual. Também traz orientações sobre gravidez e doenças sexualmente transmissíveis.
O governador justificou por que tomou a decisão pela retirada. "Não concordamos nem aceitamos apologia à ideologia de gênero". O governo do presidente Jair Bolsonaro também tem posição crítica ao que classifica como "ideologia de gênero".
Ao falar da identidade de gênero, a apostila reproduz conteúdo publicado pelo Ministério da Saúde, que diz: "A identidade de gênero refere-se a algo que não é dado e, sim, construído por cada indivíduo a partir dos elementos fornecidos por sua cultura".
SEM PREJUÍZOS
A diretora regional de Educação, Gina Sanches, afirma que o material foi retirado dos alunos na mesma semana que solicitado pelo governador e que, após isso, as aulas continuaram normalmente. "Mesmo sem a apostila, os professores deram seguimento ao currículo escolar com outros materiais de apoio, como livros didáticos, textos e tecnologia", afirma.
Após a ação, o material foi devolvido pelos diretores das escolas para os 6,5 mil de alunos de 16 municípios da Regional de Ensino de Bauru. "Todos os diretores fotografaram e documentaram as entregas e, em cada escola, conversaram com alunos e pais".
Para a professora e diretora aposentada Maria Helena Catini, de 76 anos, é exatamente com os pais que a escola deve se reunir para conversar sobre o tema. "É preciso que pais e professores tomem atitudes sensatas, em que não se ofenda nenhum dos lados. Até porque todo ser humano deve ser respeitado. Muitos professores e diretores me procuram pedindo ajuda e só posso dizer que as autoridades devem parar de brincar com a educação", frisa.