O que era uma simples colisão de trânsito terminou com a morte de um jovem primeiro-tenente do 4.º Batalhão de Policiamento Militar do Interior (4.º BPM-I) de Bauru e com outros dois oficiais baleados no fim da tarde desta quarta-feira (25). Felipe Atanázio Pires, de 24 anos, foi atingido fatalmente quando prestava atendimento a um acidente em Aparecidinha, distrito de São Manuel (69 quilômetros de Bauru). O homem que atirou contra os policiais, Luan Nilton Martins (leia mais ao lado), também acabou morto no confronto.
O fato ocorreu por volta das 17h no quilômetro 272 da rodovia Marechal Rondon (SP-300). Segundo informações do Batalhão, o policial Atanázio, juntamente com um capitão e outros dois tenentes, retornava de um simpósio em São Paulo quando se deparou com um acidente entre um Cobalt e um Siena.
No local, onde funciona um posto de combustíveis/restaurante, os policiais, de pronto, passaram a orientar os envolvidos, uma senhora idosa e Luan Martins. “Em dado momento, após questionado sobre a documentação, os policiais militares foram surpreendidos pelo homem que, em posse de uma arma de fogo, passou a efetuar disparos contra o primeiro-tenente Atanázio, que estava mais próximo, o qual caiu ao solo e acabou vindo a óbito no local”, informa, em nota, o tenente-coronel Ézio Viera de Melo, comandante do 4.º BPM-I.
A reportagem apurou que Felipe levou três tiros no abdômen. Os outros três oficiais entraram em confronto com Luan Martins, que disparou mais de 40 vezes com um pistola com numeração suprimida contra a equipe. Ele, contudo, acabou sendo atingido e também morreu.
Durante a troca de tiros, o capitão Marcelo Cordeiro Marcelino Paes e o primeiro-tenente Rodrigo José Franco, ambos servindo atualmente em Lençóis Paulista, também acabaram baleados na perna. Ambos foram socorridos ao PS de São Manuel, transferidos para o Hospital da Unesp de Botucatu e não correm risco de morte.
As marcas do confronto ficaram espalhadas pelo local: muito vidro estilhaçado e buracos de tiros pela extensão da fachada do estabelecimento.
ADEUS
O velório de Felipe Atanázio começou às 23h30 desta quarta-feira (25) na Igreja Rasgando os Céus (av. Rodrigues Alves, 23- 50, Centro), onde os pais dele são pastores. O Culto fúnebre está agendado para às 10h e a saída para o sepultamento está marcado para às 11h, com destino ao cemitério do Redentor.
O ATIRADOR
O atirador foi identificado como Luan Nilton Martins, do RJ. Ele atirou com uma pistola ponto 40 com numeração suprimida. Até o fechamento desta edição, a polícia levantava sua ficha.
Filho e neto de militares, jovem tocava saxofone em projeto
A missão de “Servir e Proteger” corria no sangue do jovem bauruense Felipe Atanázio Pires. Inclusive, a inspiração para seguir a carreira militar teve origem com o seu avô, Thomáz Atanázio, oficial do Exército e da Polícia Militar, que lutou durante a 2.ª Guerra Mundial. Além do progenitor (que morreu em setembro de 2013), o pai de Felipe também era oficial da PM.
O jovem era solteiro e completaria cinco anos de serviço em novembro. Em 2015, partiu para a Academia Militar do Barro Branco, onde fora aprovado em 99.º lugar e conquistou uma das 220 vagas para a sonhada carreira militar de oficial.
Antes, participava do Projeto Guri, no qual ingressou em 2006, na turma do saxofone. Por meio da banda, segundo informações do site oficial do projeto, viajou para outros países, como Argentina e Noruega.
Ainda em entrevista no site, logo que entrou para o Barro Branco, Felipe Atanázio disse: “Não posso deixar de falar dos excelentes professores e maravilhosas pessoas que encontrei no projeto, que vou levar como exemplo a minha vida inteira”. Infelizmente, a “vida inteira” do jovem foi encurtada pelos disparos na tarde desta quarta-feira.