O avanço rápido da robotização, agora com a inteligência artificial, vem criando expectativas contraditórias: de um lado cria esperança de facilidade, de produtos e serviços de melhor qualidade e mais acessíveis, enfim de melhoria da condição de vida; de outro lado cria temor de dificuldade para aprender a dominar as formas de lidar com as inovações e principalmente de perder ou não encontrar emprego. Para as empresas pode ser a melhoria da produtividade, com a diminuição do custo e o aumento do lucro ou o medo de ficar atrás dos concorrentes e perder mercado.
Situação semelhante ocorreu na década de 1950 com a introdução do computador na produção industrial, criando a automação, mas com consequências diferentes das que se pode imaginar atualmente. Com o término da Guerra em 1945 o país entrou em franca industrialização, o que provocou o êxodo rural, com esvaziamento do campo e grande aumento da população urbana. Essa combinação de industrialização e urbanização criou emprego para todos e facilitou a inclusão de mais crianças na educação. Como um todo o país se desenvolveu.
Enquanto as cidades cresciam e a necessidade de alimentos aumentava a agricultura perdia mão de obra e a produção, dispondo apenas de foice, machado, enxada, arado puxado por burro e colheita feita à mão não tinha condições de acompanhar o crescimento. Felizmente a indústria veio em socorro com os arados e grades de disco, puxados por trator e com caminhões substituindo as carroças o campo foi se transformando no atual agronegócio. E hoje é um voraz consumidor de tecnologia. O feijão, o arroz e o milho, colhidos à mão hoje são ceifados, debulhados e ensacados por modernas colheitadeiras com controle digital, GPS e ar condicionado. Até produtos imaginados impossíveis de colheita mecânica, como café, cana e algodão, hoje têm a sua colheitadeira.
A procura por empregos e melhores condições de vida foi a causa principal do êxodo rural, mas hoje, com maior facilidade de acesso às cidades e com trabalhos que exigem mais conhecimento do que esforço braçal, muitos empregos rurais oferecem melhor condição de trabalho e remuneração que os urbanos. Não dá para imaginar uma reversão do êxodo rural, mas dá para ver a possibilidade de crescimento do emprego em lugares melhores que as cidades grandes, onde a maioria da população tem péssimas condições de habitação, saneamento e segurança.
O fascínio pela robotização e a visão de ganhos financeiros em vez de ganhos em bem estar social possivelmente dificultarão essa possibilidade. Feiras como a 'Agrishow' e encontros para discutir a 'Agricultura 4.0' vêm se multiplicando ano a ano. Embora se fale em melhoria do trabalho no campo e em sustentabilidade, o que chama mais a atenção são as possibilidades de substituição do trabalho humano pela máquina. E os produtores de novas tecnologias não perdem oportunidade. Agora mesmo a empresa russa Cognitive Technologies está tentando colocar no Brasil um sistema chamado ''Agrodroid'', que torna as colheitadeiras máquinas autônomas.
Que Deus ilumine a mente dos que vêm conduzindo essa nova etapa na vida da humanidade.