08 de julho de 2026
Internacional

Vice do Peru recua e renuncia

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Medellín - Após uma madrugada confusa, o Peru amanheceu no dia 1 de outubro com dois presidentes. Ao final do dia de ontem, terminou sem sua vice-presidente e, aparentemente sem Congresso.

Mercedes Aráoz, que havia sido nomeada presidente interina pelo Congresso um dia antes, anunciou sua renúncia em uma rede social na noite de terça devido ao rompimento da ordem constitucional e porque não há condições mínimas para exercer o posto. O episódio adiciona mais fogo à crise política pela qual passa o país sul-americano. Na segunda (30), o presidente Martín Vizcarra, usando recursos previstos na Constituição, dissolveu o Congresso e convocou novas eleições para janeiro de 2020.

Com o movimento, o líder peruano cumpria a promessa que fez caso a proposta para mudar as regras de indicação de magistrados do Tribunal Constitucional (TC) não fosse aprovada.

Em reação, numa sessão com a presença de apenas 86 dos 130 parlamentares, o Congresso aprovou a suspensão temporária de Vizcarra por incapacidade moral e nomeou Aráoz presidente interina.

O impasse entre Congresso e Executivo mergulhou o Peru em mais uma crise institucional. Depois do juramento legalmente vazio de Aráoz, Vizcarra ignorou a ex-parceira política e não saiu do palácio do governo. Mais tarde, ainda na noite de segunda, as Forças Armadas e a Polícia Nacional do Peru se reuniram com o presidente e emitiram comunicados em seu apoio.

A vice defendeu que a questão seja levada ao Tribunal Constitucional e disse que, qualquer que seja o resultado do julgamento, o respeitaremos.

OEA

O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, emitiu um comunicado no qual declara que compete ao Tribunal Constitucional do Peru se pronunciar sobre a legalidade e a legitimidade das decisões institucionais adotadas.

Se a dissolução do Congresso não for revertida por decisão judicial, a Constituição determina que novas eleições sejam realizadas em 4 meses. Como o Congresso já estava dissolvido, o movimento, em teoria, não tem efeito jurídico.