Criadas em um passado recente como uma novidade sem grandes pretensões, as feiras noturnas de Bauru vêm, ano a ano, ganhando força. Com perfil diferente, elas se popularizaram e conquistaram a simpatia do moradores.
Devido à grande aceitação, das 11 novas feiras livres abertas em Bauru na última década, dez têm funcionamento no período noturno. Para ter dimensão deste crescimento, de 2009 para 2019, o número de feiras noturnas saltou de apenas duas para 12 e as diurnas, com tímida variação, de 27 para 28.
A feira noturna mais recente foi inaugurada no início de agosto, no Parque Vitória Régia, com excelente aceitação já em suas primeiras edições. No próximo 25 de outubro, mais uma será aberta na cidade, desta vez no Calçadão da Batista de Carvalho. E o planejamento da Sagra para os próximos anos é que, de cada três novas feiras livres a serem abertas, duas sejam noturnas.
Embora as feiras livres diurnas continuem sendo as maiores de Bauru, como a da Gustavo Maciel, no Centro, Jardim Bela Vista, Redentor e Vila Souto, as noturnas - que, na verdade, começam a funcionar no fim da tarde - ganharam espaço por possuir características específicas.
Por se estenderem para o período em que adultos, jovens e crianças já saíram do trabalho ou da escola, elas permitem a reunião de famílias inteiras, o que torna à ida a estes locais mais do que um momento de compras, mas, principalmente, uma opção de lazer. É o que explica o titular da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Levi Momesso.
"Percebemos o crescimento de uma tendência. À noite, as temperaturas são mais agradáveis. E é um ambiente familiar, extremamente tranquilo, em que as pessoas se encontram, interagem", pontua.
GANHA-GANHA
Diretor de abastecimento da Sagra e responsável por todas as feiras livres de Bauru, Rafael Santana de Lima comenta que, em razão deste perfil, as feiras noturnas têm maior percentual de barracas que comercializam produtos para consumo imediato e praças de alimentação melhor estruturadas. "Neste caso, tomamos o cuidado de manter um mínimo de 40% de barracas de produtores rurais", pontua.
Segundo Lima, a ampliação das feiras noturnas atende, principalmente, a reivindicações vindas de moradores dos próprios bairros. Neste sentido, a expansão acelerada de novos pontos também é explicada pela inauguração de grandes empreendimentos residenciais nos últimos 10 anos, com forte ocupação populacional em locais antes inabitados, como é o caso da avenida Jorge Zaiden (avenida Água Comprida) - que, não por acaso, já conta com sua feira noturna própria.
Por outro lado, também acaba por atender uma demanda crescente de feirantes, boa parte deles iniciante no ramo. De acordo com Lima, inclusive, as feiras noturnas do Vitória e do Calçadão já acumulam longas filas de espera de feirantes inscritos.
Na primeira, são aproximadamente 50 pessoas, e na segunda, que sequer inaugurou, já são quase 40. "Destas, cerca de 30 nunca foram feirantes. Eram pessoas que produziam bolos em casa ou vendiam alimentos em trailers e que estão batalhando para aumentar o faturamento", completa.