09 de julho de 2026
Entrevista da semana

Um cantar em cada porto

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 5 min

Ela faz questão de dizer que, apesar da pouca idade, já encontrou desafios que nunca a fizeram deixar de acreditar na vida, no novo, nos relacionamentos e nos seus sonhos. Sorridente e determinada, essa é Shanty Quatrina, uma cantora de 23 anos que passou o último ano em alto mar, a bordo de cruzeiros da Celebrity Cruises.

A experiência foi uma surpresa que surgiu após ter alguns problemas com seu plano inicial, de ir para os Estados Unidos trabalhar como au pair (cuidar das crianças de uma família anfitriã).

Resiliente e perseverante, Shanty se lançou no atual desafio e vem realizando outro sonho, o de conhecer o mundo. "Até agora, já visitei 24 países e, em alguns, bem mais de uma vez. Sempre quis sair do Brasil e conhecer outras culturas", conta.

Neste entrevista, realizada no Café com Política no Jornal da Cidade, a bauruense, filha dos conhecidos Regina e Jorge Quatrina, fala sobre sua carreira, sonhos, experiências e família. Confira.

Jornal da Cidade - Você nasceu aqui, certo? Quais as suas lembranças da infância?

Shanty Quatrina - Sim, eu vivi toda a vida na mesma casa, próxima do Centro. Estudei desde bebê até a 8ª série na Criarte e lá foi a minha infância. Lembro de ter sempre meus amigos em casa.

JC - A música surgiu como e quando?

Shanty - Eu sempre fui muito artística. Desde pequena, meu apelido em casa é 'Shanty barulhinho", mas comecei a cantar na igreja, em cultos. A primeira apresentação a valer foi nos 15 anos da minha irmã, eu tinha 12 anos. Lembro de ficar nervosa e, depois de começar a cantar, passar tudo.

JC - Você fez aulas nesse sentido?

Shanty - Fiz aula de violão, por muito tempo, onde eu cantava também. Fiz um tempinho de piano. Minha infância foi entre aula de violão, com a minha irmã, aulas de inglês, escola e igreja.

JC - Desde essa época, você já começou a escrever suas músicas também?

Shanty - Eu não tenho muitas composições, porque sou preguiçosa (risos). Começo a escrever e paro. Aí escrevo mais alguma coisa e deixo pra depois. Mas, a minha primeira música, eu fiz com 14 ou 15 anos e falava de amor. Lembro que colei uma folha sulfite na capa escrito "Caderno de músicas da Shanty", acho que na intenção de ninguém ler (risos).

JC - Falando em Shanty... Seu nome é diferente, tem alguma história?

Shanty - Sim, meu nome quer dizer "paz" em sânscrito, e o da minha irmã mais velha é Sathya, que quer dizer "verdade". Isso porque meus pais se basearam na frase "Não existe paz sem verdade, e nem verdade sem paz. A verdade conduz à paz".

JC - Voltando à música, quem são suas referências musicais?

Shanty - Eu me inspiro desde menina na Taylor Swift, acho que é ela. Minhas músicas são pop e gosto muito de country também.

JC - Como se desenvolveu a sua carreira?

Shanty - Eu nunca tive uma experiência de barzinhos e nem tenho material próprio. Fiz o clipe com o Lary Taylor, que hoje é um grande amigo, e foi muito legal. Mas sempre foram participações pequenas com amigos. Eu, realmente, queria ir para os EUA ser au pair, mas fui e deu tudo errado. Tive que voltar. Aí, uma amiga da minha família tem um filho que trabalha em navios. Ela comentou comigo que eu poderia cantar nos cruzeiros. Ele me deu o caminho das pedras. Mandei a proposta para a companhia e em pouco tempo fui chamada. Era para eu ter ficado duas semanas no primeiro cruzeiro, mas foram prorrogando minha volta até dar 6 meses.

JC - Quanto tempo você já ficou no total?

Shanty - Faz um ano que fui a primeira vez e fiquei 6 meses. Depois, passei 2 meses no Brasil e voltei para lá em junho deste ano. Cheguei em Bauru faz poucos dias. Eu sou muito intensa, gosto de estar com as pessoas e me apego fácil, então, a vida no navio é muito complicada nesse sentido. Nada é permanente. Ainda mais porque meu trabalho sou eu e o violão. Nos primeiros dias eu pensei em voltar, mas depois gostei e me acostumei.

JC - E a parte boa? Como está sendo?

Shanty - Ah! As pessoas veem minhas fotos no meu Instagram e não imaginam as dificuldades (risos). Eu digo que não ganho para cantar. Isso eu faço de graça. Ganho para carregar as malas, o violão, esperar 12 horas no aeroporto e tudo mais. E sou muito grata por tudo que aconteceu, pelo reconhecimento que só agora eu comecei a ter com o feedback dos hóspedes e da empresa. Até agora, visitei 24 países e, em alguns, bem mais de uma vez. Já até escalei a muralha da China (risos). Sempre quis sair do Brasil e conhecer outras culturas.

JC - Você pensa em continuar nos navios?

Shanty - Tenho o sonho de morar nos Estados Unidos e viver de música lá. Mas, por hora, quero continuar nos cruzeiros. Gosto da companhia na qual trabalho. Se eu não me engano, a única a ter capitãs mulheres, acho interessante porque não é comum ver mulheres em diversos postos dos navios.

JC - Além da música e das viagens, o que mais você gosta de fazer?

Shanty - Eu comecei com 15 anos a fazer fotos, vendia 10 por R$ 50,00. Sempre gostei de ser independente, queria ter meu próprio dinheirinho. Comecei a trabalhar como fotógrafa antes de ir para o cruzeiro. Também gosto muito de basquete, acompanho desde pequena, faço muay thai e amo assistir séries.