08 de julho de 2026
Articulistas

Arte é liberdade

Oscar D'Ambrosio
| Tempo de leitura: 2 min

Não foram poucos os que se entusiasmaram com o slogan de que "a pintura estava morta", frase que o próprio tempo se encarregou de soterrar. O mais curioso é que muitos artistas, ao contrário de se debater publicamente contra esse tipo de ideia, simplesmente se voltaram para os ateliês para produzir mais e melhor. Surgiram assim criações feitas sem o intuito de resistência, mas apenas - o que não é pouco - como uma necessidade visceral de manifestação de vida. Valorizam a arte naquilo que ela tem de melhor, ou seja, a capacidade de estabelecer um diálogo com o mundo.

Num momento muito especial, em que ocorre uma tolerância em relação a qualquer tipo de manifestação e se vive uma falta de paradigmas para estabelecer o que pode ser considerado bom ou ruim, a tendência é o isolamento. Cada grupo realiza as suas composições, bate palmas para si mesmo e perde a noção do todo. A postura é muito mais de desconstrução do que de construção. Com a ausência de critérios rígidos de avaliação - já que eles foram abolidos ou estão em crise na pós-modernidade, encerrada, para alguns com a derrubada das Torres Gêmeas - cada ato se torna uma ação pretensamente única e isolada.

As obras pictóricas contemporâneas, nesse contexto, propõem cada vez mais sugestões, criando novas problemáticas e indagações e possibilitando menos respostas prontas - o que parece bastante saudável e está afinado com o chamado vanguardismo do pós-moderno, que lida de nova maneira com o conceito de buscar o estabelecimento de possíveis novas verdades ou métodos.

A tendência é ressaltar que não existe garantia de que se possa chegar a respostas universais e imutáveis. As obras atuam então numa encruzilhada. De um lado, a procura por algum tipo de verdade existencial e artística; do outro, o desafio de lidar com a existência cotidiana. O pensamento crítico sobre o sentido da verdade, em seu sentido filosófico, e sobre a realidade, enquanto consciência política, social e econômica, gera uma arte marcada por uma intensa força vital no sentido de buscar uma aceitação crítica das instituições, mas sem perder a liberdade criativa.

Ser livre significa ter o poder de acreditar em muitas coisas. Esteja a pintura morta ou não, a arte de qualidade permanece. Encontrá-la é o desafio proposto. Cada criação é a manifestação de um olhar sobre o mundo absolutamente pessoal que se dá entre o sonho de um artista e a sua capacidade de lhe dar uma concretude visual.