08 de julho de 2026
Turismo

Pescaria no mar - 4

JCNET
| Tempo de leitura: 2 min

Aliás, essa parte da pescaria em que o peixe arisco morde aos poucos a isca, ao contrário do glutão, que ataca a isca num único abocanhar, provavelmente ocorre porque ele suspeita que alguém está montando uma arataca para ele virar alimento e, desconfiado que corre perigo na oferta de refeição grátis, age com cautela. De outro lado, o peixe que come a isca aos poucos, faz revelar a habilidade do pescador em sentir o momento exato de erguer o caniço com firmeza para fisgada certeira. Qualquer erro de cálculo significa um peixe a menos recolhido. Resolvi retirar a boia da linha para verificar se minha sensibilidade estava presente. Mas os erros cometidos nas puxadas do caniço no balançar da linha, seguramente informavam que melhor seria recolocar a boia na linha se quisesse aumentar a quantidade de peixe recolhido ao barco. Provei a mim mesmo que estava com a sensibilidade em baixa!

Sugeri a mudança do lugar em que a lancha estava poitada para tentar a captura de outras espécies de peixe, argumentando que havíamos embarcado muitos robalos e se quiséssemos voltar para o rancho a pescaria já estava realizada somente na parte da manhã. Houve unanimidade na minha sugestão, pois só havia o voto de adesão do Darci, já que o piloteiro não tem voz nem voto nas decisões dos turistas, segundo as regras da pescaria. A lancha foi conduzida para um lugar mais distante da costa marítima, no sopé de um morro conhecido como morro do bom abrigo.

O que tinha o lugar de bonito, também tinha de perigoso. A princípio, causava nebulosa impressão, com a força do mar arrebentando as ondas contra as rochas do morro. Todavia, o temor causado pela estouro do mar nas pedras passou logo que a pescaria foi reiniciada com o barco poitado.

O medo foi-se, mas seu lugar foi ocupado por um mal estar causado pelo sacolejar da lancha.

Para amenizar a revolta do estômago foi necessário tomar "dramin", comprimido que tinha de ser ingerido a cada 3 horas para ser mantida a eficácia como remédio paliativo.

A poita desceu até o fundo firmando-se numa vasta pedreira submersa. Disse o piloteiro que o lugar era habitado por badejos e que estávamos bem em cima do território deles. Peixe semelhante a esse é o abadejo que tem a preferência dos chilenos e argentinos porque desenvolve com facilidade na costa do oceano pacífico, banhando os dois territórios.

Alfredo Enéias Gonçalves d'abril, pescador aposentado