Bauru descarta, diariamente, um montante de até 20 casas populares (70m2) de entulhos da construção civil. A maior parte desse total vai para a Área de Transbordo e Triagem (ATT), operada pela Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Asten). Em evento que discutiu a gestão destes resíduos, realizado nesta quinta-feira (10), no auditório do Senai, com a presença da Associação Brasileira de Reciclagem de Resíduos da Construção e Demolição (Abrecon), a Prefeitura de Bauru foi cobrada a desenvolver ações que incentivem e priorizem a reciclagem deste tipo de material e, também, para aplicar melhor uma lei que trata do assunto.
Atualmente, a prefeitura possui uma pequena usina de asfalto que também recebe entulhos de obras do próprio poder público e de pequenos geradores. Lá, segundo o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, que representou o prefeito Gazzetta no evento, há um processamento do material, que vira areia e cascalho, mas além de a produção ser considerada muito baixa - menos de 400 toneladas/mês, não há reaproveitamento nobre do insumo, que poderia virar blocos, para voltar a ser usado na construção.
"Era para termos capacidade de processar mais de 2 mil toneladas por mês, mas não temos maquinário. Estamos apostando no financiamento de R$ 46 milhões para comprar máquinas, só que a usina também é pequena. Por mais que iniciemos um programa hoje, acredito que a reciclagem na construção é um problema que deva ser resolvido daqui uns três anos", afirma Sidnei.
Hoje, o município utiliza o entulho processado de sua usina basicamente para consertar estradas rurais e na pavimentação. Outras 300 toneladas de materiais segregados na ATT e recolhidos pela secretaria são para tapar erosões.
DECRETO
Por dia, a área de transbordo operada pela Asten, localizada no Jardim Chapadão (região do Mary Dota), recebe 600 toneladas de entulho. Passivo que forma uma montanha de materiais segregados no local.
Presidente da Asten, Eusébio Giraldes de Carvalho diz que mais de 200 mil toneladas se acumulam na ATT, atualmente, e defende que a destinação dependeria de mais interesse da prefeitura.
"Temos material pronto para ser reciclado na ATT e um decreto municipal pioneiro (11.8689/2011) regulamenta o uso e destinação de resíduos da construção civil. Lá está escrito que o município deveria priorizar o uso de agregados reciclados. Só que a prefeitura opta por licitações de agregados naturais", critica Eusébio. "O que sai 100% mais caro. No ano passado mesmo, Bauru gastou R$ 1,5 milhão com pedreiras na região. Se fosse o agregado reciclado do montante que temos, o valor não superaria os R$ 400 mil", pontua.
NÃO APOSTAM
Ainda de acordo com Eusébio, duas usinas particulares da cidade possuem maquinários preparados para a reciclagem de detritos da construção, mas apostam mais em outras áreas, como portos de areia, por não terem compradores.
"Ao não priorizar o agregado reciclado, a prefeitura não ajuda a quebrar o preconceito e a criar uma cultura de consumo. É algo ruim, porque temos insumos de sobra para doar a essas usinas da cidade que podem reciclar", acrescenta o presidente da Asten.
PREFEITO RESPONDE
Sobre o assunto, o prefeito Clodoaldo Gazzetta diz que o município realiza compras anuais de resto de construção reciclado. E aponta que a ATT deveria ter sido transformada em usina pela Asten, citando que a entidade "já deveria ter comprado trituradores para reciclar o montante que chega".
Sidnei Rodrigues acrescenta ter recebido propostas de empresas interessadas em vir para Bauru tratar o material.