08 de julho de 2026
Geral

Canudinhos começam a ser 'extintos'

Rafael de Paula
| Tempo de leitura: 2 min

O fornecimento de canudos de plástico em estabelecimentos comerciais do Estado de São Paulo está, literalmente, com os dias contados. Nesta quarta-feira (16), o governo paulista regulamentou, por decreto, uma lei, elaborada em julho, que proíbe a comercialização e a distribuição do produto em hotéis, bares, restaurantes, padarias e clubes. Multas estão previstas para os estabelecimentos que descumprirem a medida, porém, há um prazo de 120 dias para regularização. Mesmo assim, em Bauru, alguns comerciantes já se adiantaram e deixaram de lado os tradicionais canudinhos. 

O objetivo da nova medida é reduzir os impactos do produto no meio ambiente. Cilindros em papel reciclado, material comestível ou biodegradável serão as opções legais.

Márcio Rogério da Silva é empresário de um bar na cidade e, há cerca de 40 dias, já tirou do estoque os canudos de plástico. A opção foi substituí-los pelos biodegradáveis.

Nas mesas do estabelecimento e no balcão de atendimento, não há nem resquício do canudinho plástico. "No começo, os clientes acharam ruim, mas tiramos todos os de plástico. Temos a comodidade do canudo biodegradável. No entanto, não o deixamos à disposição. Só levamos à mesa se o cliente fizer mesmo questão e pedir", explica o empresário.

De acordo Márcio, no passado, cerca de 2 mil canudos de plástico eram utilizados mensalmente. Com os biodegradáveis, uma caixa com quinhentas unidades deve durar por, pelo menos, 90 dias. O problema é o preço. "Esse canudos ecológicos são, pelo menos, duas vezes mais caros", diz.

Em uma casa de salgados, os cilindros de plástico também estão extintos há cerca de 20 dias. A opção é utilizar copos descartáveis, mas os cliente ainda pedem os canudinhos. "O pessoal reclama demais e querem saber por que tiramos. Para quem pede, oferecemos o copo descartável", explicou a gerente Josiane Almeida.

Já Elias Sebastião Penasso, de 71 anos, diz ter sido pego de surpresa. O comerciante comanda uma carretinha de caldo de cana e água de coco.

"Aqui, todo mundo pede o canudo. Eu ainda tenho aqui. Mas, não estava sabendo dessa nova lei. Agora, a gente vai ter se adequar para não tomar multa", lamenta Penasso.

CAMPANHA

No final de 2018, uma inciativa da Câmara Municipal tentou proibir a distribuição de canudos e copos de plástico em bares e restaurantes de Bauru. Porém, o projeto de lei do vereador Roger Barude (Cidadania) se transformou na campanha "Canudo que Salva", uma proposta beneficente para o recolhimento do material para o descarte correto.

A inciativa solidária envolveu empresas bauruenses, entre elas o JC.